O dia das mães e a função materna
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No segundo domingo de maio de cada ano é comemorado o dia das mães. Historicamente, na primeira década do século XX, a ativista Ann M. R. Jarvis cria o “Mother’s Day Work Clubs”. Encontros com outras mães com objetivo de diminuir a mortalidade infantil e buscar melhores condições de saneamento básico, no contexto da Segunda Guerra Mundial.
Após a morte dela, sua filha Anna realiza uma homenagem aos trabalhos sociais de Ann, no início de maio de 1908. Em 1914 o dia das mães se torna oficial nos EUA. E em 1930 Getúlio Vargas emite o decreto nº21.366, para comemorar os “sentimentos e virtudes do amor materno” no segundo domingo de maio.
Mas quais são esses sentimentos e virtudes?
Para que se possa entendê-los, primeiro é preciso entender o papel de uma mãe. Segundo a psicologia e a psicanálise, uma “mãe” não é alguém de sexo, gênero e idade específicos. Mas sim a função da maternidade a ser desempenhada por uma pessoa.
Por isso, a “função materna” pode ser ocupada por um número de cuidadores, como: pais, mães, irmãos, avôs e avós ou instituições, por exemplo. E, de acordo do com pesquisas, isso não significa que essa criança terá algum tipo de falta.
Sabe-se que ao nascer todo bebê necessita de alguém. Mais do que de apenas uma pessoa real e física, esse alguém precisa corresponder ao mundo imaginário e as necessidades psíquicas desse recém-nascido. Ou seja, a figura materna é aquela que irá suprir as necessidades fisiológicas (como a fome) e também aquela que irá ajudar esse bebê a enfrentar seus medos e ansiedades.
Essa relação entre figura materna-bebê permite que essa criança comece constituir sua pessoalidade. Além disso, permite que ela comece a desenvolver seu senso de autoconfiança e amor próprio. Portanto, pode-se dizer que cabe a cada “mãe” representar “os sentimento e virtudes” de: cuidado, amor, apoio, proteção, amparo, segurança e sensibilidade.
Mas, e quando essa figura materna é ausente ou não desempenha seu papel de forma correta?
Nestes casos, pesquisas evidenciam a relação com: problemas de autoestima, insegurança, narcisismo, de separação, de relacionamento de fala, de apego, a de dificuldade de lidar com frustrações, transtornos alimentares, transtorno de personalidade borderline, ansiedade, depressão e algumas psicoses.
Diante disso, a psicoterapia pode ser uma grande aliada. Embora a relação com o psicólogo não substitua a da figura materna, na terapia o indivíduo pode aprender a reparar e elaborar suas angústias, medos, ansiedades. Se tornando mais saudável e confiante, além de poder lidar com suas questões e transtornos.
Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
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