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Os jogos eletrônicos violentos resultam em violência na vida real?

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07/07/2024 05h12 - Atualizado há 1 semana Publicado por: Redação
Os jogos eletrônicos violentos resultam em violência na vida real?

Hoje tratarei sobre um questionamento que muitos pais se fazem durante a criação de seus filhos: “será que os videogames deixam as crianças, adolescentes, ou até mesmo adultos, mais violentos?”

Essa mesma pergunta tem sido objeto de debate para a psicologia durante as últimas décadas. Em 2015 a APA (Associação Americana de Psicologia) publicou que havia encontrado uma “relação consistente entre o uso de videogames violentos e o aumento de comportamentos de afetos agressivos”. No entanto, essa declaração não foi muito bem aceita devido às perguntas utilizadas no estudo da época.

Já em 2020, a APA se pronunciou novamente e retifica a declaração anterior. Expõe novas pesquisas que mostram que não há evidencias suficientes para ligar os videogames a comportamentos violentos, pois há outras causas para violência que precisam ser consideradas.

Porém, é fato que nos últimos anos a utilização de jogos para entretenimento aumentou. E que muitos dos jogos recentes têm componentes violentos. Então, como fica essa questão?

Lynn Alves, pós-doutorado em jogos eletrônicos e aprendizagem, escreve que a violência, na verdade, vende por oferecer um efeito terapêutico. Esses, permitem a pessoa canalizar seus medos, desejos e frustrações no outro. Assim, os jogos se tornam um local de elaboração de conflitos, medos e angústias.

Já Luiza Chagas Brandão, mestre em psicologia pela USP, comenta em entrevista para o Jornal da USP, que os jogos eletrônicos permitem a pessoa canalizar uma violência que não pode ser feita no mundo real. Portanto, esse momento seria menos danoso do que uma violência real.

Mas e as pessoas que são violentas e jogam?

Sabe-se que a violência em si é um fenômeno multifatorial. Por isso, não tem um só determinante. Ou seja, não é só o “jogar algo” que torna alguém violento ou agressivo. E a violência teria outras causas.

Além disso, é preciso entender sobre o contexto do indivíduo e os fatores de risco que já se está exposto. Como, por exemplo: saúde mental, violências que essa pessoa já sofre, traumas, cultura, criação e vícios. Deste modo, se o indivíduo tem mais fatores de proteção (recursos internos ou sociais pra neutralizar os fatores de risco), ele é menos suscetível a violência.

Consequentemente, um psicólogo pode ser de grande ajuda ao abordar esses temas. Pois, pode ajudar a pessoa a lidar com questões que não são elaboradas durante um jogo, fortalecer seus recursos internos e fatores de proteção, lidar com o vício em jogos e com comportamentos agressivos no geral.

 

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psi_matheuswada

Telefone: (16)99629-6663

Email: [email protected]

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