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Sobrecarga sensorial e as neurodivergências: quando tudo cansa demais

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Os termos “sobrecarga” e “exaustão” são muito conhecidos e sentidos. Especialmente quando associados a rotinas de estudos ou trabalho mais extensas. O que pode, inclusive, resultar em transtornos de saúde mental, tais quais o burnout ou a depressão.

Mas, e quando essa sobrecarga ocorre durante o dia todo? Também nos períodos de lazer? Quando interagir com o mundo exige muita energia e cansa demais?

Uma das possibilidades (para além da exaustão psicológica) é a da “Sobrecarga Sensorial”. A qual é definida por um estado em que o cérebro recebe mais estímulos do que é capaz de processar.

Sejam estes sonoros, táteis, olfativos, visuais ou de paladar. E, como resultado, há uma sobrecarga psíquica e neurológica. Levando a um estado de cansaço crônico, irritabilidade, estresse, dores no corpo, enxaquecas, desejo de isolamento social e constantes crises.

Embora a Sobrecarga Sensorial não seja restrita às pessoas com neurodivergências, é mais expressiva nesses casos. Dentre estes, principalmente para quem é diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) ou TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Ocorrendo porque o processo de “poda neural” muitas vezes não ocorre como o esperado durante o desenvolvimento (principalmente na infância). Resultando num número excessivo de conexões sinápticas (responsável pela comunicação dos neurônios), as quais acabam por absorver informações demais e sem filtro a todo momento.

Isso porque a “poda” é o processo neurológico o qual otimiza a interpretação dos estímulos sensoriais absorvidos por cada um. E tem o objetivo de filtrar e interpretar essas mesmas informações de forma que façam sentido em cada contexto vivido, separando o relevante do irrelevante, de forma a estabelecer o processo de cognição (percepção do mundo).

Quando a “poda” não ocorre de forma esperada, uma das consequências é que informações que seriam prazerosas ou que fariam sentido em um contexto específico, passam a ser ruídos sensoriais bagunçados e incômodos. Por exemplo, ouvir uma música pode se equiparar a ser bombardeado com barulho alto, constante e altamente irritativo.

Assim, o despercebido para uma pessoa pode ser extremamente difícil de lidar para outra. E mesmo interações cotidianas acabam por exigir muita energia física e mental.

Neste sentido, o papel da psicoterapia com um psicólogo passa por um processo de acolhimento, psicoeducação, elaboração e ressignificação. Incluindo a identificação das causas da sobrecarga e dos sintomas resultantes; elaboração de estratégias para reduzi-los; criação e adaptação de espaços menos agressivos e ressignificação; e organização de sentido para os estímulos de acordo com o caso.

Pois, através deste processo se busca a regulação física e emocional, o evitamento de crises e o estabelecimento de uma vida mais saudável e funcional para o paciente.

 

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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