ENTREVISTA DO DIA!!!

Plano Diretor entra na 11ª audiência e debate Distrito de Inovação em São Carlos

Foto: Paulo Mello / São Carlos FM

PAULO MELLO

A revisão do Plano Diretor de São Carlos chegou à 11ª audiência pública e terá como foco, nesta quarta-feira (11), às 18h, no Onovolab, a criação de um possível Distrito de Inovação — também chamado de Quadrilátero da Inovação. O tema foi detalhado durante entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta quarta-feira (11), pelo assessor especial do prefeito Netto Donato (PP), João Muller, e pelo diretor de Planejamento Territorial, Aguinaldo Spaziani.

Segundo Muller, as dez audiências anteriores registraram média de 150 participantes, e a expectativa é manter o mesmo patamar de público nesta nova etapa. “Estamos na fase de coleta de propostas. Nada está fechado. O texto final ainda vai passar por análise técnica, deliberação da comissão e nova audiência de retorno à população”, afirmou.

Distrito de Inovação: conceito e proposta

A audiência desta quarta discute a possibilidade de delimitar áreas estratégicas da cidade para fomentar integração entre universidades, startups, empresas, centros de pesquisa e moradia. A ideia é estabelecer índices urbanísticos diferenciados nessas regiões.

“Você pega uma área que já tem vocação tecnológica, como a região do Onovolab, próxima ao Senai e ao Senac, ou ainda áreas próximas à USP, UFSCar e ao futuro AME, e cria mecanismos para integrar pesquisa, inovação, comércio e moradia. Não é uso exclusivo. É integração”, explicou Muller.

De acordo com ele, o modelo já é consolidado na Europa e começa a ganhar espaço no Brasil. A cidade de São Paulo possui um distrito semelhante, e São Carlos pretende estruturar o segundo do Estado. “O Plano Diretor precisa oferecer as ferramentas para isso acontecer”, completou Spaziani.

Participação aberta e críticas respondidas

Durante a entrevista, Muller rebateu críticas feitas na audiência anterior, realizada na sede da ACISC, quando parte do público questionou a realização de encontros segmentados. “O acesso é para todo e qualquer cidadão. Apesar de estarmos debatendo inovação, qualquer morador do Cidade Aracy, do Santa Felícia ou de qualquer bairro pode participar, criticar ou apresentar sugestão. Não estamos restringindo ninguém”, afirmou.

Spaziani reforçou que o formato foi definido por comissão paritária — com 50% de representantes do governo e 50% da sociedade civil — e que outros segmentos também terão encontros específicos, como meio ambiente (25 de fevereiro, no Paço Municipal), universidades (25 de março, na UFSCar) e conselhos municipais, cuja reunião extra foi incorporada após sugestão popular.

Consultoria técnica e possível hiato

Um dos principais pontos abordados foi a contratação de consultoria técnica para embasar as próximas fases da revisão. O processo licitatório deve ter abertura de envelopes no próximo dia 24 de fevereiro.

“Não temos como apresentar dados hidrológicos, geológicos ou estudos completos de mobilidade sem equipe técnica especializada. Precisamos saber quantos carros circulam, quantas motos, qual o impacto dos aplicativos no transporte coletivo, quais os modais mais utilizados. Isso exige estudo”, disse Muller.

Ele reconheceu a morosidade burocrática do processo público. “Abrimos o processo em setembro do ano passado. São cinco meses para contratar. É falha da burocracia, mas queremos fazer a revisão com responsabilidade.” A equipe avalia um intervalo de 45 a 60 dias após as audiências de março para que os primeiros estudos técnicos sejam incorporados antes das audiências de retorno.

Ambiente de negócios e novos investimentos

Questionado se a revisão do Plano Diretor pode estar relacionada ao anúncio recente de grandes empreendimentos comerciais na cidade, Muller avaliou que o ambiente institucional influencia decisões empresariais.

“Uma cidade precisa ter sustentabilidade e responsabilidade ambiental, mas também ambiente de negócios. O investidor analisa renda média, logística, universidades, indicadores sociais, segurança, saúde e educação. Se percebe que a administração está organizada e planejando o futuro, isso conta”, afirmou.

Ele destacou que São Carlos possui renda familiar média elevada em comparação regional, fator que atrai investimentos, especialmente nos setores varejista e industrial.

Limpeza urbana e preparação para o Carnaval

Ao final da entrevista, Muller também confirmou que assumiu a coordenação da fase emergencial da limpeza urbana e zeladoria.

“Atualmente temos três equipes em campo e meta de chegar a oito. Já contratamos cerca de 70 trabalhadores. Começamos pelo Centro por causa do Carnaval e estamos avançando para os bairros como Cidade Aracy, Água Vermelha e Santa Eudóxia, bem como, o Parque do Bicão”, explicou.

Segundo ele, a dificuldade maior tem sido encontrar mão de obra para serviços de roçagem e capinação. A expectativa é reforçar as equipes nos próximos 15 dias.

Spaziani encerrou reforçando o convite: “Esperamos o máximo de pessoas debatendo esse tema tão importante. A inovação faz parte da identidade de São Carlos. O Plano Diretor precisa refletir isso”.

A audiência pública ocorre nesta quarta-feira (11), às 18h, no Onovolab, com participação aberta à população.

 

Assista a entrevista completa:

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