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Assassinato dos Sundermann completa 30 anos

Três décadas depois os responsáveis pela execução dos sindicalistas continuam impunes, como um “crime perfeito”

12/06/2024 00h32 - Atualizado há 1 mês Publicado por: Redação
Assassinato dos Sundermann completa 30 anos FOTO: DIVULGAÇÃO

Marco Rogério

Hoje, dia 12 de junho de 2024, Dia dos Namorados completam-se 30 anos da morte do José Luis e Rosa Sundermann. O casal de sindicalistas foi morto a tiros dentro de sua própria casa. Na época eles defendiam os cortadores de cana-de-açúcar da região em uma época em que o corte da cana mecanizado ainda era uma novidade.

A vida do casal Sundermann foi marcada por sua presença junto às mobilizações sociais e à luta pelo socialismo. Nessa trajetória, incomodaram muita gente rica e poderosa. Naqueles primeiros anos da década de 1990 em particular, dirigiram várias greves de cortadores de cana e laranjeiros, o que deixou usineiros, fazendeiros, políticos e policiais furiosos.

Eles eram militantes da Convergência Socialista, da qual Rosa era dirigente. José Luís também era dirigente do Sindicato dos Servidores da Universidade Federal de São Carlos e da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra).

Em 1994, construíram, junto com a Convergência e outros socialistas espalhados pelo país, um novo partido revolucionário no Brasil, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Entre 4 e 6 de junho, uma semana antes de sua morte, participaram do congresso de fundação da organização. Rosa fora eleita como membro do primeiro Comitê Central do partido.

O CRIME

Na madrugada de domingo, 13 de junho, quando o filho do casal, Duda, então com 17 anos, chegou em casa, ele se deparou com uma cena horrorosa:  os corpos dois pais jogados ao chão sem vida e ensanguentados. Um choque do qual nunca se recuperaria. Anos depois ele morreu num acidente em uma cachoeira em Analândia.

José Luís e Rosa foram alvejados na cabeça enquanto assistiam TV. A forma como o crime foi executado aponta para uma ação profissional. Nada foi roubado da casa.

O inquérito foi arquivado, deixando o crime impune e esgotando a possibilidade de qualquer recurso jurídico no Brasil para reabri-lo.

Os advogados do Instituto José Luís e Rosa Sundermann, no entanto, não desistiram de buscar justiça. Em 2004, denunciaram o Estado brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos por negligência e omissão. A denúncia foi encaminhada para uma comissão da Organização dos Estados Americanos em março daquele ano. É uma batalha difícil, mas ainda se aguarda o desarquivamento, pois não é possível se conformar com um crime bárbaro como esse.

De qualquer forma, o principal objetivo foi chamar a atenção da opinião pública. No documento enviado à OEA, os advogados declararam: “Nada foi roubado ou foi tocado na casa, nem cartões de crédito, nem qualquer outra coisa. O assassino disparou quatro tiros, dos quais três foram disparos certeiros nas cabeças das vítimas, com total precisão. As circunstâncias deixam claro tratar-se de uma execução fria e calculada, definitivamente obra de profissionais.”

TRÊS DÉCADAS DEPOIS

Em 2013, José Luís e Rosa foram declarados anistiados durante a 77ª Caravana da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que julgava a anistia de ex-militantes da Convergência Socialista. Eles já militavam durante o período da ditadura militar e sofreram perseguição. Foi um ato simbólico, porém muito importante, pois só reafirma a força desses dois camaradas.

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