A Polícia Civil de São Carlos indiciou por homicídio doloso o motorista responsável pelo atropelamento que resultou na morte do jovem comerciário Kaique Henrique Soares Montanha, de 21 anos, durante uma perseguição policial na noite de domingo (7), na região central da cidade.
De acordo com o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como crime consumado, envolvendo ainda direção perigosa, desobediência, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menor.
Segundo o delegado Gilberto de Aquino, o caso é considerado extremamente grave e vai além de um acidente de trânsito. “Não se trata de homicídio culposo. Ele assumiu o risco ao dirigir de forma extremamente perigosa, em alta velocidade e na contramão, colocando diversas pessoas em risco”, afirmou.
A ocorrência teve início quando policiais militares tentaram abordar um Fiat Siena na região da Vila Prado, após suspeita de atitude irregular. O motorista desobedeceu à ordem de parada e iniciou uma fuga em alta velocidade, percorrendo diversas ruas da cidade, muitas delas na contramão, até chegar à Avenida São Carlos.
Durante a perseguição, o veículo colidiu na traseira de um carro estacionado e atingiu Kaique, que estava ao lado do automóvel. A vítima foi arremessada contra outro veículo e sofreu múltiplas fraturas e traumatismo craniano grave, não resistindo aos ferimentos após ser socorrida à Santa Casa.
Ainda segundo o delegado, o comportamento do condutor foi determinante para o enquadramento mais severo. “Ele atravessou praticamente toda a área urbana em alta velocidade, desrespeitou ordem policial e colocou em risco não só a vítima, mas várias pessoas. Por isso, o indiciamento é por homicídio doloso com dolo eventual”, explicou.
Após a abordagem, quatro pessoas foram detidas no veículo. No interior do carro, os policiais localizaram um revólver calibre 32, municiado com seis cartuchos — três intactos e três já deflagrados.
O motorista também foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo, desobediência, direção perigosa e corrupção de menor, já que havia uma adolescente no veículo. Os outros ocupantes responderão por crimes relacionados ao porte da arma e à participação no ato.
A Justiça converteu a prisão em flagrante do condutor em prisão preventiva, atendendo ao pedido da Polícia Civil. “Ele tentou fugir e demonstrou total desprezo pelas regras e pela vida. Para garantia da ordem pública, deve permanecer preso”, reforçou o delegado.
O caso segue sob investigação.








