José Galizia Tundisi*
A Conferência Internacional sobre o clima (COP30) recém-realizada em Belém (PA) ficou conhecida como a “CPO da implementação”. De fato as conclusões da Conferencia da qual participaram mais de 150 países apresentou resultados expressivos referentes à direção e implementação de projetos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa além de substancial apoio financeiro à proteção de florestas tropicais no Brasil, Congo, Indonésia, projeto proposto pelo Brasil. Quase 10 bilhões de dólares americanos foram doados por países desenvolvidos a este projeto que além de proteger as florestas dará apoio às comunidades locais que são fundamentais com suas práticas para a conservação da biodiversidade e proteção da vegetação nativa .
A participação da comunidade científica de especialistas internacionais em mudanças climáticas, incluindo cientistas brasileiros, foi fundamental para descrever os alertas e consequências da continuidade das emissões e da incapacidade de redução de Dióxido de Carbono e Metano na atmosfera a causa principal do aumento de temperatura do Planeta Terra.
A mensagem que estes cientistas apresentaram é que há uma extrema urgência e emergência climática para a redução das emissões e também para desenvolver metodologias e técnicas para a fixação dos gases na atmosfera já existentes .
Portanto as várias mensagens foram muito claras e por esta razão a COP 30 foi bem sucedida. Entretanto há problemas econômicos e políticos que estão fora do controle das autoridades cientificas e das próprias populações. São 5 bilhões de pessoas (dos quase 9 bilhões de habitantes do Planeta Terra) que recebem 75% dos impactos das mudanças climáticas. Estas são populações das periferias das grandes cidades do Planeta Terra , populações rurais em áreas sujeitas a secas extremas e populações urbanas em países de todo o Planeta além de populações em áreas marinhas (ilhas e litoral).
A grande surpresa desta COP 30 foi a postura da iniciativa privada que assumiu compromissos efetivos de redução das emissões e adotou propostas de sustentabilidade avançadas e inovadoras.
Como sempre ocorreu em outras COPS, os países produtores de petróleo se recusaram a tomar atitude mais positiva com relação às reduções das emissões e à produção de combustíveis. A indústria petrolífera mundial, movimenta 5 trilhões de dólares americanos por ano e daí a explicação porque se recusam a reduzir a produção. Este é um dos grandes impasses que persistem. Este ano de 2025 devem ser emitidos para a atmosfera 38 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa para a atmosfera.
Isto significa que o problema continuará a existir e portanto países e principalmente municípios devem se preparar para mitigar impactos e adaptar-se ás novas e extremas condições climáticas. No Brasil poucos municípios estão preparados cientificamente e tecnicamente para atender esta demanda.
São Carlos é entretanto uma cidade privilegiada com relação a este problema pois além de contar com um grupo seleto e interdisciplinar de cientistas das Universidades, Embrapas e Institutos de Pesquisa conta com um governo municipal muito sensível e atento a este processo de adaptação e mitigação de impactos das Mudanças Climáticas.
Novos sistemas de geoprocessamento em operação já em uso serão fundamentais na prevenção de precipitação e seus impactos. Isto se complementará com o uso da Inteligência Artificial no estudo e delineamento das ondas de enchentes drenagem e sua localização. Além disto a implementação de um amplo e bem estudado processo de arborização urbana já em estado de projeto avançado, deverá contribuir substancialmente para a mitigação de impactos referentes ao aumento de temperatura tanto na área urbana como nas periferias.
As obras contra enchentes receberam recursos para implantação de novas estruturas o que possibilitará maior controle em futuro próximo. E São Carlos tem 20 Parques Florestais urbanos cerca de 350 hectares implantados na administração Airton Garcia que estão sendo preparados para receber apoio de infraestrutura, recomposição da vegetação e terão importância fundamental nas adaptações às mudanças climáticas além de incentivos à educação, cultura e lazer.
Estamos elaborando uma proposta de criar um Observatório das Mudanças Climáticas constituído por cientistas, representantes da Sociedade Civil, economistas e gestores que deverão contribuir para desenvolver ideias, projetos e acompanhar e contribuir para as ações de adaptação e mitigação de impactos.
São Carlos assim reafirma sua capacidade de liderança colocando Ciência e Tecnologia na base de suas políticas públicas marca deste governo municipal que inclui em suas ações o Conhecimento Científico a Tecnologia e a Inovação como eixo principal de seus projetos.
Mudanças globais tem sérios problemas ambientais, econômicos e sociais e estes processos afetarão municípios, continentes e países por muito tempo.
As informações cientificas são fundamentais para desenvolver projetos de adaptação de alto nível à Mudanças Climáticas e deveremos trabalhar intensamente para promover programas, ações e atividades
Isto inclui também a participação da população nestas ações e para isto há novas ideias e projetos em preparação com um grupo de cientistas trabalhando intensamente.
Como ressaltou o Professor Dr. Vanderlei Bagnato em recente entrevista: “Não podemos perder tempo, temos que agir rapidamente”. É o que estamos fazendo.
*José Galizia Tundisi é Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências; da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e do “Staff” do Ecology Institute, Oldendorf, Alemanha. É Assessor Especial do Prefeito Antonio Netto Donato para a área de Ciência Tecnologia e Inovação.
