A Câmara Municipal de São Carlos realizou, no dia 27 de novembro, a 26ª Sessão Solene, que reuniu o plenário lotado para a entrega da 4ª edição do Selo Carolina Maria de Jesus. A honraria é uma política pública criada em 2021, por iniciativa da vereadora Raquel Auxiliadora, para reconhecer escolas e profissionais da educação que colocam em prática as Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tratam da obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena no currículo escolar.
A cerimônia foi aberta com a execução do Hino Nacional Brasileiro, do Hino a São Carlos e do Hino à Negritude, marcando o caráter simbólico e político da noite, dedicada à memória, à ancestralidade e à luta antirracista. Compuseram a mesa a vereadora Raquel Auxiliadora, o secretário municipal de Educação Lucas Leão, a vice-reitora da UFSCar, Profa. Dra. Maria de Jesus Dutra dos Reis, o representante da OAB São Carlos Reginaldo da Silveira, Alessandra Cristina Alves de Souza, integrante da comissão julgadora, e as vereadoras Larissa Camargo e Fernanda Castelano, reforçando o caráter coletivo da construção.
Em sua fala, a Profa. Dra. Maria de Jesus destacou o significado histórico da Lei 10.639/03, afirmando que a norma “concretiza um sonho, mas é só o início”, e enfatizou o papel de professores e professoras como “heróis e heroínas” da transformação, por romperem invisibilidades, buscarem formação muitas vezes com recursos próprios e levarem a educação antirracista para o cotidiano das escolas.
Na categoria Profissionais da Educação, o destaque da noite foi o projeto desenvolvido pelas professoras Gisele, Natália e Letícia, que aproximou as crianças da literatura negra, promoveu reflexões sobre racismo, pertencimento e protagonismo de mulheres negras e levou as produções das estudantes para além dos muros da escola, com uma exposição que chegou inclusive aos outdoors da cidade.
Na categoria Instituição de Ensino, a EMEB Arthur Natalino Deriggi, por meio de sua EJA, foi reconhecida pelos projetos desenvolvidos a partir das obras Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, e Ubuntu e outras histórias africanas. As ações envolveram leituras dialógicas, rodas de conversa, produções escritas e artísticas, vivências culturais e atividades formativas, fortalecendo a autoestima, o senso de pertencimento e a leitura crítica de mundo por parte dos estudantes.
Já na categoria Trajetória Profissional, a homenageada foi a bibliotecária Sônia Maria Pinheiro, referência na promoção da literatura antirracista e indígena em São Carlos. Atuando na Biblioteca Euclides da Cunha e na rede municipal, Sônia tem trajetória marcada pela defesa de acervos que valorizam a diversidade, o afeto e a identidade desde a infância, garantindo que crianças negras e indígenas se vejam representadas nas histórias que leem e ouvem.
Foram concedidas ainda menções honrosas à EMEB Maria Hermantina Carvalho Tarpani, ao SESI 407, ao professor Lucas Rodrigues de Oliveira e à professora Eli Aparecida Paiuta, reconhecendo a qualidade e o compromisso dos projetos inscritos. Os relatos dos estudantes e integrantes do Comitê da Diversidade do SESI 407 emocionaram o público ao mostrar que o combate ao racismo na escola não se restringe ao mês de novembro, mas é um trabalho permanente, estruturado e coletivo ao longo de todo o ano letivo.
Para a vereadora Raquel Auxiliadora, a noite foi marcada por ancestralidade, afeto e reconhecimento: a sessão mostrou que há uma rede potente de educadoras, educadores e instituições que tratam a educação antirracista como compromisso diário, e não como ação pontual. Ao consolidar-se em sua quarta edição, o Selo Carolina Maria de Jesus fortalece práticas que germinam nas escolas, bibliotecas, cozinhas escolares e comunidades, e reafirma a possibilidade de que São Carlos se torne referência em igualdade racial e educação comprometida com a justiça social.
