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Eleição deve ter queda brusca na quantidade de candidatos a prefeito

Apenas três postulantes devem disputar o cargo em 2024, contra 12 em 2020

27/06/2024 06h20 - Atualizado há 4 semanas Publicado por: Redação
Eleição deve ter queda brusca na quantidade de candidatos a prefeito

Com as recentes movimentações no cenário político, restaram apenas três pré-candidatos a prefeito nas eleições de outubro. Caso não ocorra nenhuma surpresa de última hora, Netto Donato (PP), Newton Lima (PT) e Mario Casale (Novo) irão disputar a preferência do eleitorado são-carlense. A mudança representa uma queda de 75% em relação a 2020, quando 12 candidatos disputaram a prefeitura.

Para o mestre em Administração Pública, Guilherme Rezende, o cenário atual de nacionalização e polarização das campanhas pode estar influenciando este processo, sobretudo em grandes e médias cidades. ”A popularização do acesso à internet e o consumo de notícias e informações por meio das redes sociais favorecem este contexto. Assim sendo, os pleitos municipais que naturalmente eram marcados por fortes características locais, estão sendo confrontados com a “catarse” dos embates políticos nacionais e que certamente guardam conexões com o contexto internacional”.

Desta forma, Rezende pontua que as estratégias dos políticos locais são desafiadas e indicam um caminho de maior pragmatismo, tolhendo iniciativas isoladas ou “aventuras”. “Além disso, há a visão de que as composições são um bom caminho para manutenção do poder, sobretudo, em um contexto em que há uma candidatura estabelecida e competitiva à esquerda, pouco comum nas cidades do interior paulista”.

Soma-se a isto a um momento recente na política local que coincide curiosamente em nível federal, de fortalecimento do Poder Legislativo frente à Prefeitura, tornando as cadeiras do legislativo interessantes em termos de estratégia política e acesso ao poder, tanto pela execução de emendas parlamentares quanto pela possibilidade de negociar a indicação cargos em secretarias.

Em relação ao impacto disso no debate público, Rezende acredita que o número de candidatos, por si só, não pode ser entendido como único “qualificador” para um debate público de melhor qualidade. “Entendo que a prioridade dos candidatos em discutir de problemas e propostas factíveis tem maior relevância para o debate. Entretanto, outro fator que deteriora significativamente este cenário são as fake news, as generalizações e o foco em temas que não são de competência municipal”.

Além disso, ele diz que a campanha eleitoral com apenas 45 dias não colabora também para a sensibilização da sociedade para esta discussão. “Ainda mais considerando as condições socioeconômicas atuais da população e o desinteresse pela política como um todo, este curto espaço de tempo favorece abordagens mais espalhafatosas e alarmistas, em contraste com as boas condições de construção de um debate mais profundo, participativo e tecnicamente orientado”.

“A despeito deste contexto, entendo que considerando a experiência e o perfil dos candidatos à prefeitura, creio que haverá espaço para bons debates acerca dos problemas da cidade, com diferentes propostas e abordagens para avaliação dos eleitores”, finaliza Rezende.

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