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Mensagens de Do Val revelam plano de golpe articulado por Bolsonaro, aponta revista Veja

Do Val teria dito ao ministro Alexandre de Moraes que Silveira e Bolsonaro o teriam convidado para participar de ação "criminal"

02/02/2023 19h09 - Atualizado há 1 ano Publicado por: Redação
Mensagens de Do Val revelam plano de golpe articulado por Bolsonaro, aponta revista Veja Agência Senado/ABr

AE

Após derrota nas urnas em outubro do ano passado, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) teria arquitetado, com o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) e com convite feito ao senador Marcos do Val (Podemos-ES), um plano para tentar anular a eleição e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa tentativa de golpe. Em mensagens obtidas pela revista Veja, Marcos do Val teria dito ao ministro Alexandre de Moraes, no dia 12 de dezembro, que Silveira e Bolsonaro o teriam convidado para, segundo ele, participar uma ação “esdrúxula, imoral e até criminal”.

Na madrugada desta quinta-feira, 2, Do Val anunciou que vai renunciar ao mandato por causa do suposto episódio, citando a entrevista concedeu à Veja. Em ação da Polícia Federal (PF) que não tem relação com o episódio narrado por Do Val, Daniel Silveira foi preso nesta manhã. Após a revelação, a PF pediu autorização ao STF para ouvir Do Val em depoimento.

De acordo com as declarações do senador à revista, foi Daniel Silveira quem o chamou para conversar sobre “um assunto importante” com Jair Bolsonaro. A reunião, por sua vez, teria sido “incomum”, e o então deputado supostamente combinou com o senador de tratar o encontro apenas por códigos.

Daniel Silveira teria orientado o parlamentar sobre como chegar ao destino sem ser visto. “Vou te mandar a minha localização, mas tu não entra não, no Alvorada. E nem chega perto da entrada. Tu não vai aparecer. Tu vai parar o carro no estacionamento que eu vou te mandar a localização. Eu vou estar ali. O carro vai vir buscar a gente”. O embarque teria sido feito por um carro de segurança do presidente da República até o Alvorada, com entrada não registrada na portaria.

Durante 40 minutos, Do Val disse ter ouvido uma ideia que “salvaria o Brasil”. Ainda segundo ele afirmou à Veja, o plano era gravar o ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral e captar um diálogo que sugerisse uma suposta intervenção de Moraes durante a campanha eleitoral.

Bolsonaro teria afirmado que o plano já estava acertado com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão responsável pela segurança do presidente e que tem a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Do Val teria os equipamentos necessários para espionar o ministro.

Sem dar uma resposta, Do Val teria pedido para pensar e, na manhã seguinte, teria recebido uma ligação de Silveira cobrando uma posição. Segundo ele, Do Val poderia ficar tranquilo, que a “missão” era segura e que “nem o Flávio saberá”, referindo-se ao filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O senador disse à revista não ter respondido. “Não sei se você compreendeu a magnitude desta ação. Ela define, literalmente, o futuro de toda a nação”, teria dito o deputado, que reforçou para que o parlamentar não comentasse com ninguém sobre a ação: “se aceitar a missão, parafraseando o 01, salvamos o Brasil”.

No encontro com Alexandre de Moraes, Do Val supostamente contou os detalhes do encontro com o presidente e sobre proposta recebida. Em resposta, o ministro teria dito “não acredito”. No mesmo dia, o senador teria declinado a participação com Daniel Silveira.

Os citados foram procurados pela revista. Em resposta, o agora ex-deputado Daniel Silveira informou, por intermédio de seus advogados, que está impedido pela Justiça de falar com jornalistas. Alexandre de Moraes, também por meio de sua assessoria, disse que não iria comentar o caso. O senador Marcos do Val confirmou ter participado da reunião com o então presidente e admitiu ter ouvido os detalhes do plano – e decidiu relatar a Moraes.

 

Recuo

Após receber ligações de filhos de Bolsonaro, Marcos do Val muda de versão

Weslley Galzo/AE

Depois de receber ligações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Marcos Do Val (Podemos-ES) mudou sua versão sobre a denúncia de que teria sido montando uma operação para barrar a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva a mando do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao falar em seu gabinete, Do Val agora diz que o plano, na verdade, foi do ex-deputado Daniel Silveira, que foi preso nesta quinta-feira por ordem do Supremo Tribunal Federal por violação de decisão judicial.

O senador, que anunciara em rede social na madrugada que iria renunciar ao mandato, também mudou de ideia. Disse que Eduardo e Flávio Bolsonaro e outros políticos com quem conversou o convenceram a não abandonar a cadeira de senador.

Na versão original, detalhada pela revista Veja, Do Val teria recebido de Bolsonaro numa reunião no Palácio da Alvorada proposta para gravar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes. A ideia seria obter uma declaração comprometedora que pudesse resultar na desmoralização de Moraes e até mesmo sua prisão e impedindo a diplomação de Lula como presidente no TSE.

Na nova versão apresentada por Do Val, a ideia não partiu de Bolsonaro, mas de Daniel Silveira, mas foi apresentada na frente do ex-presidente em reunião no Alvorada. Coincidentemente, a nova declaração coincide com declarações feitas hoje no Senado por Flávio Bolsonaro que disse não ter visto crime algum no caso e que tudo não passou de ideia de Daniel Silveira.

“O que ficou claro para mim foi o Daniel achando uma forma de não ser preso de novo, porque toda hora ele descumpria as ordens do ministro (Moraes). Ficou muito claro que ele estava num movimento de manipular e ter o presidente (Bolsonaro) comprando a ideia dele”, afirmou Do Val em entrevista coletiva em seu gabinete no Senado.

 

 

Flávio Bolsonaro: “Nunca houve qualquer tentativa de golpe”

Sofia Aguiar/AE

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, negou qualquer tentativa de golpe feita pelo ex-chefe do Executivo. De acordo com ele, seu pai “é um defensor da lei e da ordem e sempre jogou dentro das quatro linhas da Constituição”.

“Seu mandato presidencial se pautou pelo estrito respeito à legislação e às instituições, mesmo quando setores da mídia tentaram induzir o público a uma imagem diferente”, declarou o senador, em nota divulgada nesta quinta-feira (2). “Tanto não houve qualquer tentativa de golpe ou crime, que o presidente Bolsonaro deixou a presidência em 31 de dezembro.”

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