O Movimento Negro de São Carlos prestará homenagem ao Professor Eduardo de Oliveira no próximo dia 6 de agosto, das 14h às 16h, na Câmara Municipal de São Carlos. A data celebra o centenário de nascimento de Oliveira.
Em São Carlos, o evento tem a organização de João Carlos Cassiano, membro do Movimento Negro. Cassiano relata que conheceu o professor quando tinha 12 anos e morava em São Paulo. Com Oliveira, aprendeu as primeiras noções de ser um cidadão negro.
Ao retornar para São Carlos, em 1968, já na casa dos 20 anos, participou ativamente da fundação do Clube 4 de Novembro, na rua Conde do Pinhal, com o propósito de disseminar as atividades do público jovem negro na cidade.
“Celebramos a vida, a luta e o legado de um educador intelectual e ativista que dedicou sua trajetória à valorização da história, da cultura e da identidade negra”, afirma o Movimento Negro de São Carlos, no seu convite à população para participar do evento.
Em São Paulo, na mesma data, a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) também prestará homenagem ao Professor Eduardo de Oliveira, em iniciativa liderada pela deputada Leci Brandão (PCdoB).
PERFIL
O Professor Eduardo de Oliveira nasceu em São Paulo, capital, em 6 de agosto de 1926, filho de Sebastião Ferreira e D. Henriqueta de Oliveira. Advogado, jornalista, conferencista político e professor, foi vereador em São Paulo por uma legislatura. Membro da Casa de Cultura Afro-Brasileira, da Associação Cultural do Negro e da União Brasileira de Escritores, de São Paulo.
Como poeta, estreou em 1944, com ‘Além do Pó’, tendo publicado diversos outros títulos nas décadas seguintes. A obra de Eduardo de Oliveira, como acontece com muitos outros escritores afrodescendentes de seu tempo, isenta-se de buscar a inovação estética propugnada pelas vanguardas históricas do século XX, estando, ao contrário, influenciada pelas formas e procedimentos da tradição literária. A maior parte de sua produção poética é composta por sonetos e outras formas fixas consagradas.
Eduardo de Oliveira dedica-se também à música, sendo autor de letra e partitura do ‘Hino 13 de Maio – Cântico da Abolição’, oficializado pelo Congresso Nacional.
Eduardo de Oliveira compõe junto com Oswaldo de Camargo uma dupla de escritores que “representa os sentimentos dos negros educados da classe média, buscando a igualdade em um mundo socialmente impessoal e etnicamente branco”, afirma Brookshaw.
Para o crítico inglês, os dois se assemelham a Cruz e Souza “quanto ao anseio por dignidade e integração”. Em 1978, participou do histórico primeiro número da série Cadernos negros, no qual inseriu o poema “Túnica de Ébano” que, mais tarde, serviria de título ao volume publicado em 1980. Em 1998, trouxe a público a enciclopédia Quem é quem na negritude brasileira, obra da mais alta relevância em termos de mapeamento da produção intelectual dos afro-brasileiros, bem como de todos os que se destacam nos mais diferentes espaços de afirmação social. O escritor faleceu em 12 de julho de 2012.
Em 1978, participou da publicação do primeiro número dos ‘Cadernos Negros’, pelo poema ‘Túnica de Ébano’, livro este que seria lançado no ano de 1969, com o tocante prefacio de Clovic Moura.
Ainda no ano de 1978 participa do surgimento de MMU (Movimento Negro Unificado), no lançamento nas escadarias do teatro Municipal, constando na ata de fundação desta histórica agremiação. É admirado tanto por sua obra literária, quanto por sua militância e atuações em cargos políticos.
VEREADOR
Na carreira política, foi o primeiro vereador negro da cidade de São Paulo. Concorreu às eleições municipais de 1959 pelo Partido Democrata Cristão (PDC) para uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo, alcançou 1.942 votos e foi eleito suplente. Durante a legislatura finalizada em 1963, ele exerceu o cargo por diversas vezes entre maio e dezembro de 1963. Em uma destas investidas no poder municipal declama um profundo pronunciamento dedicado aos povos africanos em luta pela libertação. Foi ainda fundador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) e um dos responsáveis pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial em 2010.
Eduardo de Oliveira faleceu em 12 de julho de 2012, aos 85 anos, no Hospital do Servidor Público de São Paulo. À época militava pelo Partido Pátria Livre (PPL).








