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Netto Donato critica setores sindicais por politizarem o aumento salarial dos servidores municipais

01/04/2025 10h43 - Atualizado há 3 dias Publicado por: Redação
Netto Donato critica setores sindicais por politizarem o aumento salarial dos servidores municipais

Em entrevista concedida nesta terça-feira (1º), o prefeito de São Carlos, Netto Donato (PP), detalhou as medidas adotadas pela administração municipal em relação ao reajuste salarial dos servidores públicos e respondeu às críticas e ameaças de paralisação por parte do movimento sindical. O diálogo, que contou com a participação de jornalistas, abordou temas como aumento salarial, reforma administrativa e a relação com o sindicato dos servidores.

Reajuste Salarial e Benefícios

Netto Donato anunciou um pacote de benefícios para os cerca de 5.500 servidores municipais, que inclui um aumento salarial de 6,56%, um incremento de quase 20% no ticket alimentação – que passará para R$ 1.200 – e ajustes na cesta básica. Segundo o prefeito, o impacto financeiro anual dessas medidas será de aproximadamente R$ 40 milhões, valor que já foi encaminhado à Câmara Municipal para aprovação.

“Estamos tratando o servidor público com muito respeito e carinho, fazendo financeiramente aquilo que a prefeitura tem capacidade de realizar neste momento”, afirmou Donato. Ele destacou que a saúde financeira da prefeitura, estabilizada na gestão anterior do prefeito Airton Garcia, permite esses avanços sem comprometer as contas públicas. “Não posso ser irresponsável de dar um aumento maior do que as possibilidades financeiras da prefeitura”, completou.

O prefeito também anunciou a contratação de mais de 49 professores efetivos, cinco enfermeiros e dez técnicos de enfermagem nos últimos três meses, representando um investimento de R$ 7 milhões. “Estamos cuidando do servidor e contratando mais pessoas para atender às necessidades da população”, ressaltou.

Reforma Administrativa e Críticas do Sindicato

Um dos pontos de tensão com os servidores é a recente reforma administrativa, que criou cargos de confiança e foi aprovada sem uma renegociação prévia com o sindicato. Representantes sindicais acusam a prefeitura de desrespeitar os trabalhadores ao priorizar esses cargos em vez de oferecer um reajuste maior. Em resposta, Donato defendeu a medida como necessária e transparente, destacando que o número de comissionados é inferior a 5% do total de servidores, sendo quase metade composta por concursados.

“Fizemos o que era correto e previsto. A reforma administrativa é algo que todos os prefeitos fazem no início do mandato. Não foi um erro político ou administrativo”, argumentou. Ele acusou setores do sindicato de politizarem a discussão, apontando a influência de membros ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), derrotado nas últimas eleições. “Não vou aceitar política partidária infiltrada no sindicato. Isso pode prejudicar todos os servidores”, disse, elogiando o diálogo com o presidente do sindicato, Adail, mas criticando a postura de uma minoria.

Ameaça de Paralisação

O movimento sindical ameaça uma paralisação, e cartazes já foram vistos em escolas alertando sobre a suspensão de aulas. Donato classificou a atitude como “um desrespeito com a população” e prometeu rigor: “Os professores ou servidores que não comparecerem terão falta. Não podemos levar isso para o caos”. Ele enfatizou que os salários estão em dia – pagos rigorosamente no primeiro dia de cada mês – e que o aumento oferecido, somado aos benefícios, é significativo em comparação com outras cidades da região.

Questionado sobre uma eventual judicialização caso a greve se concretize, o prefeito afirmou que a prefeitura seguirá a lei e buscará medidas legais para evitar prejuízos à população. “Vamos tomar as medidas cabíveis para não prejudicar São Carlos, os moradores e os servidores que não aderirem à paralisação”, garantiu.

Diálogo e Perspectiva Política

Donato negou que haja falta de diálogo com os servidores, citando pelo menos cinco reuniões realizadas para discutir o dissídio. “Reabrimos a negociação a pedido da própria comissão, explicamos os números, mas eles não aceitaram. Não posso penalizar mais de 5.000 servidores por causa de 400 que querem fazer política pensando nas eleições daqui a quatro anos”, declarou. Ele também minimizou pressões sobre os vereadores, afirmando que a maioria na Câmara tem consciência da situação e deve aprovar o projeto.

Sobre o clima econômico, o prefeito reconheceu os desafios nacionais, como a alta dos preços no supermercado, mas defendeu o reajuste como responsável e sustentável. “Se eu desse um aumento maluco, fora dos padrões, poderia desestabilizar as finanças. O maior aumento da região é o de São Carlos”, concluiu.

Expectativa

Com a assembleia sindical marcada para as próximas horas, a cidade acompanha de perto os desdobramentos. Netto Donato aposta no diálogo e na responsabilidade fiscal para manter a harmonia entre a administração, os servidores e os 265 mil habitantes de São Carlos, enquanto busca evitar que tensões políticas interfiram no andamento das negociações.

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