Pano pra manga...

Raquel Auxiliadora denuncia projeto de privatização da merenda escolar em São Carlos e cobra explicações do governo

Divulgação

A vereadora Raquel Auxiliadora denunciou nesta semana o envio, à Câmara Municipal, de um projeto de lei do Governo Netto Donato que autoriza remanejamento orçamento para abertura da licitação de uma emprensa que fará toda merenda escolar na rede municipal de São Carlos. Segundo a parlamentar, a proposta confirma uma intenção já apontada por ela em outubro do ano passado, quando o governo municipal negou que houvesse decisão tomada e afirmou que se tratava apenas de “estudos”.

De acordo com Raquel Auxiliadora, a justificativa do projeto agora protocolado prevê a terceirização completa do serviço de alimentação escolar, incluindo o planejamento nutricional dos cardápios, o preparo das refeições, o controle de qualidade e segurança alimentar e a distribuição da comida pronta para as unidades escolares. “Estamos falando de um modelo em que uma grande cozinha prepara todas as refeições e apenas as distribui nas escolas. Isso muda completamente a lógica da merenda que sempre funcionou em São Carlos”, alertou.

A vereadora criticou duramente um trecho do próprio processo, no qual a administração municipal afirma não dispor de “estrutura operacional própria suficiente” para executar diretamente o serviço com eficiência. Para ela, a declaração é grave e levanta uma série de questionamentos. “Onde foi parar toda a estrutura que sempre serviu ao município? Caminhões, cozinhas, equipamentos, maquinário de pré-preparo dos alimentos? Antes da gestão do Netto, a merenda funcionava, inclusive com reconhecimento e prêmios. Essa estrutura simplesmente desapareceu?”, questionou, defendendo a abertura de uma investigação para apurar o destino desses recursos públicos.

Outro ponto central da denúncia diz respeito ao futuro das merendeiras e nutricionistas concursadas. Raquel Auxiliadora destacou que esses profissionais conhecem a realidade de cada escola e de cada aluno, especialmente em um cenário com aumento de casos de alergias alimentares, intolerâncias, diabetes e seletividade alimentar. “São servidoras e servidores que sabem exatamente o que cada criança consegue comer, como introduzir novos alimentos e como garantir uma alimentação adequada desde bebês até adultos da EJA. O que será feito dessas trabalhadoras e trabalhadores concursados?”, indagou.

A parlamentar também criticou o custo estimado da terceirização, que, segundo ela, pode chegar a R$ 23 milhões. “Isso não é eficiência, isso é transformar a vida das pessoas em negócio. Em vez de chamar merendeiras aprovadas em concurso, o governo prefere terceirizar a alimentação das nossas crianças, jovens e adultos”, afirmou.

Raquel Auxiliadora reforçou que seguirá mobilizando a sociedade e o Legislativo contra o projeto. “Estamos falando de comida, de saúde e de vidas. São Carlos precisa voltar a ter uma merenda de qualidade, digna, como sempre teve antes dessa gestão”, concluiu.

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