ENTREVISTA NA SÃO CARLOS FM!!!

Raquel Auxiliadora faz balanço do mandato, confirma pré-candidatura e critica Netto Donato

Fotos: Paulo Mello / São Carlos FM

PAULO MELLO
Da redação

A vereadora Raquel Auxiliadora (PT) foi a entrevistada na manhã desta sexta-feira (30), no programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, onde apresentou um balanço detalhado do mandato, confirmou sua pré-candidatura a deputada federal e fez uma análise crítica da administração municipal, apontando falhas estruturais, ausência de planejamento e improvisações na condução das políticas públicas.

Logo no início da conversa, Raquel reforçou que a prestação de contas é um princípio central do seu mandato e uma obrigação de qualquer agente público. “Prestar contas é algo fundamental no trabalho de uma figura pública. No nosso mandato isso virou tradição. Todos os anos a gente publica uma revista com tudo o que foi feito, disponível para qualquer pessoa acessar”, afirmou.

Segundo a vereadora, o levantamento anual das ações permite não apenas transparência, mas também uma avaliação interna do trabalho desenvolvido. “Quando a gente para, no fim do ano, mesmo cansada, e olha tudo o que foi feito, dá até orgulho. A gente percebe que fez muita coisa, que valeu a pena.”

Mandato coletivo e conquistas legislativas

Raquel fez questão de destacar que o mandato não é individual, mas construído de forma coletiva, reconhecendo o trabalho de assessores, estagiários e profissionais que passaram pelo gabinete ao longo dos últimos anos. “A vereadora é uma pessoa, mas o mandato é coletivo. Tem uma equipe inteira por trás, pessoas que passaram, contribuíram e ajudaram a construir tudo isso.”

Mesmo sendo um mandato de oposição, a parlamentar ressaltou que o ano foi marcado por importantes avanços legislativos. “Eu até tinha receio de que a revista ficasse muito marcada pelos embates com a prefeitura, porque a gente enfrentou muito, denunciou muito. Mas também tivemos muitas realizações.”

Entre as principais conquistas, Raquel citou a lei do luto materno, a inclusão da violência política de gênero no Código de Ética da Câmara, o fortalecimento da Procuradoria da Mulher, além de iniciativas culturais como o Dia do Choro e o Festival de Inverno da Praça XV.

Pré-candidatura a deputada federal

Ao falar sobre sua pré-candidatura a deputada federal, Raquel afirmou que a decisão não surgiu de forma isolada, mas como resultado do reconhecimento do trabalho realizado em São Carlos e da construção interna do partido. “As pessoas vêm dizendo que está na hora de dar um passo a mais. Isso foi sendo construído com o partido, com diálogo e responsabilidade.”

Ela explicou que o PT de São Carlos optou por apresentar duas pré-candidaturas como projeto político para ampliar a representação regional: uma à Assembleia Legislativa, com o ex-prefeito Newton Lima, e outra à Câmara dos Deputados, com seu nome. “É um projeto para que São Carlos tenha voz fora da cidade, tanto no Congresso Nacional quanto na Alesp, defendendo aquilo em que a gente acredita.”

Raquel explicou o funcionamento do sistema eleitoral proporcional, destacando que nenhuma cidade consegue eleger sozinha um deputado federal. “Para eleger um deputado federal, são necessários, em média, 150 mil votos. São Carlos inteira tem cerca de 169 mil eleitores. É impossível todo mundo votar na mesma pessoa.”

Ela ressaltou que buscar votos em outras cidades é regra, não exceção, e avaliou como positiva a pré-candidatura do presidente nacional do PT, Edinho Silva. “A candidatura do Edinho é fundamental para o partido. Ele é um nome forte, com capacidade de fazer uma votação muito expressiva.”

Segundo a vereadora, a lógica do coeficiente eleitoral precisa ser melhor compreendida pela população. “Muitas vezes a gente vota na pessoa, mas está votando num time, num projeto. Se o partido vai bem, isso ajuda a eleger outros candidatos comprometidos com esse projeto.”

Raquel explicou que sua atuação extrapola os limites do município, especialmente em pautas relacionadas aos direitos das mulheres e ao serviço público. “A gente trabalha temas locais que são nacionais. Direitos das mulheres, por exemplo, são uma pauta da minha vida há muitos anos.”

Ela citou sua participação em redes estaduais e nacionais de promotoras legais populares e sua atuação sindical como fatores que ampliam o alcance do mandato. “Outras cidades procuram São Carlos para entender como determinadas leis foram construídas. Isso vai criando redes e fazendo o nosso trabalho furar bolhas.”

Críticas à gestão municipal

Questionada sobre os principais problemas da cidade, Raquel foi direta ao classificar a atual administração como a “pior da história recente” do município. “Infelizmente, a gente tem um governo municipal muito ruim. Depois de um ano de gestão, dá pra dizer com clareza que está fazendo muito mal para a cidade.”

Ela destacou que as reclamações mais frequentes da população dizem respeito ao básico, como zeladoria, educação e serviços essenciais. “Cortar mato é fácil. O difícil é garantir todas as políticas públicas funcionando ao mesmo tempo. E isso não está acontecendo.”

A vereadora citou a falta de merenda escolar, materiais básicos e problemas em contratos de limpeza como exemplos da desorganização administrativa. “Merendeiras chegaram a levar sabão de casa para limpar as escolas. Isso é inadmissível.” Para Raquel, o problema central é a falta de planejamento. “Tudo é emergencial. Deixa o problema estourar para depois dar um jeitão. Isso não é gestão.”

Ela também contestou o discurso de queda de arrecadação. “A arrecadação aumentou. Em 2025 entrou mais dinheiro do que em 2024. O problema não é falta de recurso, é falta de planejamento e execução.”

Apesar das críticas, Raquel reconheceu avanços em áreas específicas, como a área da Cultura. “O edital de chamamento público para os artistas foi um passo importante. Ainda precisa melhorar, mas foi um avanço que precisa ser reconhecido.”

Violência política de gênero e redes sociais

Ao abordar os ataques sofridos nas redes sociais, Raquel destacou que a violência política de gênero ainda é uma realidade constante.

“Os ataques vêm sempre nesse lugar da mulher. Falam do corpo, mandam lavar louça. Esse tipo de ataque não acontece com homens.”

Ela afirmou que, embora nem todos os casos sejam judicializados, a legislação existente oferece respaldo às mulheres na política.

Proteção animal e ausência de políticas públicas

Sobre casos recentes de maus-tratos a animais, Raquel afirmou que o principal problema não é a ausência de leis, mas a falta de políticas públicas estruturadas. “Lei tem. O que não tem é política pública funcionando.”

Ela relatou situações em que cidadãos encontraram animais abandonados e não conseguiram atendimento adequado nos serviços municipais. “Falta chipagem, castração, atendimento veterinário e fiscalização. Sem isso, os problemas continuam.”

Ao final da entrevista, Raquel agradeceu o espaço e reforçou o caráter coletivo do seu projeto político. “Não faz sentido estar na política sozinha. Nosso mandato e nossa pré-candidatura são construídos junto com muita gente.”

A vereadora convidou a população a acompanhar seu trabalho pelas redes sociais, onde divulga ações do mandato e debates políticos.

Assista a entrevista na íntegra:

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