Quarta-feira, 17 Outubro 2018  21:14:31

São Carlos trabalha com déficit de 33% em peritos criminais

  • Escrito por  Fábio Taconelli

Aprovados em concurso para a Polícia Técnico-Científica do Estado de São Paulo estão em compasso de espera. Realizado em 2013, muitos candidatos esperam a convocação. Enquanto isso, a corporação trabalha com um déficit de 31% no Estado. Segundo o Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Sinpcresp), faltam 538 profissionais. Os que estão na ativa reclamam da sobrecarga das atividades, de acordo com Eduardo Becker, o presidente da categoria.

“Nós trabalhamos desde 2015 para as convocações. Em 2016, fizemos um trabalho que resultou nas primeiras nomeações, mas elas saem a conta-gotas”, esclareceu.

De acordo com Eduardo Becker, o perito criminal tem uma função importantíssima. “A falta de provas leva à nulidade do processo. Um criminoso, por exemplo, pode ir pra rua por causa disso”, exemplificou.

Depois de uma pressão imposta pelo Sinpcresp, 167 profissionais foram convocados, mas de acordo com Eduardo Becker esse número ainda é insuficiente. “A carga horária de trabalho do perito é de 40 horas semanais, mas muitos deles trabalham 60 horas por semana para não prejudicar ainda mais a população, que precisa de laudos periciais”, explicou Becker.

Estudo

Em São Carlos, segundo o presidente do Sinpcresp, o déficit de profissionais é de 33%. A cidade necessita de 15 peritos, mas possui 10. O mínimo aceitável é 11, segundo Eduardo Becker. “A justificativa do governo estadual é que não há orçamento, mas para outras carreiras há espaço. O exemplo são a contratação dos praças [soldados] da Polícia Militar. A carreira de perito é sempre preterida”, lamentou.

O Sindicato dos Peritos Criminais também lançou uma nota pública para tratar do assunto. Nela, enfatiza que a contratação de novos peritos e a melhoria das instalações devem acontecer com urgência para que a população possa receber atendimentos mais ágeis por parte da perícia. “Excesso de horas de trabalho, cortes nos investimentos e a proliferação de ambientes insalubres são alguns dos problemas que atingem esses profissionais e que, direta ou indiretamente, arriscam comprometer a qualidade do trabalho, o que só não acontece de fato graças ao comprometimento dos peritos com seu juramento de servir à sociedade paulista”.

NOTA

 

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que o Governo do Estado de São Paulo já autorizou a nomeação de 472 policiais técnico-científicos neste ano, acima do compromisso assumido de nomear 406 profissionais para as diversas carreiras da Polícia Técnico-Científica.

“Fora o orçamento total da SSP em 2018, que é de R$ 567 milhões, a Polícia Técnico-Científica conta ainda com mais R$ 16,5 milhões referentes ao repasse autorizado pelo secretário e a liberação de recursos do tesouro”, diz a nota. 

“A SSP trabalha continuamente para reforçar e equipar as polícias paulistas, tanto que desde 2011, a Polícia Técnico-Científica abriu 11 processos seletivos para diversas carreiras. No período, foram contratados 1.195 policiais, sendo 291 só neste ano no Estado. Na região de Ribeirão Preto foram enviados 445 policiais civis e científicos e foram investidos mais de R$ 18 milhões na compra de 271 viaturas para ambas as polícias nesse período”, finaliza a secretaria.

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