O Grêmio São-carlense completou 50 anos nesta quinta-feira, 19 de março de 2026 — e a data não é apenas uma comemoração. É um mergulho em uma história que mistura paixão, futebol raiz e personagens que ajudaram a construir um dos capítulos mais marcantes do esporte na cidade.
Fundado em 1976, o Grêmio Esportivo São-carlense nasceu para colocar São Carlos no mapa do futebol paulista — e conseguiu. Ao longo de quase três décadas, o “Lobão da Central” se tornou símbolo de identidade, rivalidade e amor pelo esporte.
Mas por trás dessa trajetória, existem histórias que vão além das quatro linhas. Uma delas é a de Sergio Antonio Piovesan, de 81 anos, comerciante há mais de seis décadas e um dos fundadores do clube.
Mesmo acamado, ele recebeu a reportagem com simpatia e emoção — e deixou claro: o sentimento pelo Grêmio segue intacto.

“Sou gremista de coração. Pensei até em escrever um livro sobre o Grêmio e outro sobre o comércio na baixada, mas o tempo passou”, contou.
Piovesan participou da fundação do clube em 1976, após convite. A ideia nasceu do esportista Marisvaldo Carlos Degan (memória). Anos depois, também esteve envolvido na retomada da equipe, já em um novo momento.
As memórias mais fortes vêm dos tempos de arquibancada no estádio Luisão — palco dos grandes momentos do clube.
“Era um ritual ir aos jogos no domingo. Eu saía com um sorriso enorme quando o Grêmio vencia… e bravo quando perdia”, disse, rindo.
Entre tantas lembranças, algumas seguem vivas como se fossem ontem: o gol de Biônico que garantiu o acesso ao Paulistão, a histórica participação na elite do futebol paulista em 1991 e até um episódio curioso no Morumbi.
“Fui ver o Grêmio jogar contra o São Paulo do Telê Santana. Comemorei o gol e um torcedor mandou eu ficar quieto. Mas depois explicaram pra ele… e eu comemorei em paz”, contou.
Fundado como sucessor do Madrugada Esporte Clube, o Grêmio rapidamente ganhou força. Em 1989, conquistou o título da Série A3. Em 1991, viveu o auge ao disputar a elite do Campeonato Paulista, enfrentando gigantes como Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo.
E se tem uma história que resume o espírito do clube, é a inusitada excursão à Europa, em 1997. Por um engano, o time de São Carlos foi confundido com o Grêmio de Porto Alegre — e acabou enfrentando equipes como Lazio e Fiorentina, em uma viagem que entrou para o folclore do futebol brasileiro.
Uma história que atravessa gerações
O Grêmio Esportivo São-carlense foi fundado em 19 de março de 1976, durante uma reunião na Chácara Paineiras, sucedendo o Madrugada Esporte Clube. Desde o início, adotou as cores azul, vermelho e branco e passou a mandar seus jogos no Estádio Municipal Professor Luís Augusto de Oliveira, o Luisão.
No mesmo ano de fundação, já ingressou no futebol profissional. Ao longo dos anos, consolidou-se como o principal representante de São Carlos no cenário estadual, alcançando seu auge em 1991, quando disputou a elite do Campeonato Paulista.
Além das campanhas marcantes, o clube também protagonizou episódios curiosos — como a excursão à Europa em 1997 — e conquistou o título do Campeonato Paulista da Série A3, em 1989.
Após enfrentar dificuldades financeiras e administrativas, encerrou suas atividades em 2004. Ainda assim, seu legado segue vivo na memória da cidade e inspirou o surgimento de um novo projeto anos depois.
Ao longo de sua trajetória, o Grêmio foi comandado por diferentes dirigentes, que ajudaram a construir essa história:
Luiz Paulillo Filho (fundador) – 1976
Márcio Alvarenga – 1977
Sérgio Antonio Parreli – 1977 a 1979
José Bento Carlos Amaral – 1979 a 1980
Júlio Zavaglia – 1980 a 1981
José Bento Carlos Amaral (interino) – 1981
João Victor Ferreira Rosa – 1981 a 1982
Sergio Antonio Piovesan (fundador) – 1983 a 1984
Osmar José Di Tomazzo (interino)
Francisco Ponzio (interino)
Marcos Antonio Pierri – 1984 a 1985
Carlos Roberto Cavalaro – 1987
Dario Placeres Cardoso Junior – 1988
Gilberto Alexandre Formici – 1989 a 1992
José Antônio Rosa – 1994 a 1998
Sergio Roberto de Almeida (fundador) – 1998 a 2001
José Antônio Rosa – 2001 a 2003
Marcos Antônio Pereira – 2003 a 2004
Cinco décadas depois, o Grêmio São-carlense segue sendo mais do que um time. É memória, identidade e paixão que atravessa gerações — dentro e fora das quatro linhas.








