NA SÃO CARLOS FM!!

Marina Silva defende ciência, pacto federativo e combate ao crime organizado

Foto: Paulo Mello
Foto: Paulo Mello

PAULO MELLO

A candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede) defendeu, durante entrevista ao Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, nesta quinta-feira (20), uma atuação parlamentar voltada ao desenvolvimento econômico sustentável, ao fortalecimento da ciência e tecnologia, à revisão do pacto federativo e ao enfrentamento do crime organizado. Ex-ministra do Meio Ambiente, a deputada federal Marina afirmou que pretende usar a experiência acumulada no Executivo para representar os interesses do Estado e ampliar a participação do interior paulista nas decisões nacionais.

Ao explicar por que decidiu disputar uma vaga no Senado, Marina afirmou que a Casa tem papel central no equilíbrio federativo e institucional do País. Segundo ela, a candidatura também está ligada à intenção de contribuir para um novo ciclo econômico em São Paulo. “Eu quero fazer São Paulo continuar sendo o Estado propulsor do desenvolvimento do País”, declarou. A candidata destacou a força industrial, tecnológica e econômica paulista e defendeu uma reindustrialização baseada em sustentabilidade, inovação e novas fontes de energia.

A ciência e a tecnologia ganharam destaque quando a entrevista abordou diretamente São Carlos. Marina citou a presença da USP, da UFSCar, de centros de pesquisa e de empresas de base tecnológica e afirmou que o conhecimento produzido no município precisa gerar efeitos mais amplos na economia e na qualidade de vida da população. “O que nós temos que fazer é transformar conhecimento em desenvolvimento. Transformar tecnologia em novas oportunidades para ampliar cada vez mais a nossa base de produzir e a nossa base de gerar emprego, de gerar renda”, afirmou.

O vereador de São Carlos Djalma Nery (PSOL), primeiro suplente da candidata, também participou da conversa. Marina disse que pretende fazer dele um interlocutor das demandas do interior paulista. “Eu tenho dito para o Djalma que ele vai ser o porta-voz do interior de São Paulo”, declarou. Djalma, por sua vez, destacou a vocação científica e tecnológica do município e defendeu políticas públicas que permitam transformar essa estrutura acadêmica e de inovação em novas oportunidades de desenvolvimento regional.

Questionada sobre a relação entre agronegócio e preservação ambiental, Marina afirmou que as duas áreas precisam avançar de forma conjunta. “Se não andar juntos, não temos sequer como ter um agro vigoroso como nós temos hoje”, disse. Ela argumentou que secas, enchentes e outros eventos climáticos extremos já provocam prejuízos aos produtores e citou a situação das áreas de recarga do Aquífero Guarani, incluindo São Carlos, como exemplo da necessidade de conciliar produção, segurança hídrica e conservação ambiental.

Outro tema abordado foi o pacto federativo. Marina defendeu uma redistribuição mais equilibrada de responsabilidades e recursos entre União, Estados e municípios. “As atribuições foram passadas, mas os recursos não vêm na mesma proporção e os prefeitos não têm condição de dar conta sozinhos”, afirmou. Segundo ela, áreas como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura exigem maior cooperação entre os diferentes níveis de governo, especialmente nos municípios de menor porte, que possuem capacidade orçamentária limitada.

Na área de segurança pública, a candidata defendeu o fortalecimento da investigação, da inteligência e da atuação integrada das forças policiais. Marina afirmou que mudanças na legislação podem ser discutidas, mas ressaltou que o combate às facções criminosas não depende exclusivamente de penas mais duras. “O que está faltando é inteligência. Inteligência, trabalho integrado entre as polícias, formação continuada dos policiais, meio de proteger as famílias e as vidas dos policiais”, declarou. Ela também defendeu medidas para impedir a infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado e em setores econômicos.

Marina também se posicionou favoravelmente ao uso de câmeras corporais pelas forças de segurança. Segundo a candidata, a tecnologia pode oferecer proteção tanto aos cidadãos quanto aos próprios agentes. “O policial que faz certo não é contra ter as câmaras corporais”, afirmou. Para ela, a combinação entre tecnologia, transparência, inteligência e integração institucional é mais eficaz do que ações isoladas ou de caráter exclusivamente ostensivo.

Ao final da entrevista, Marina comentou um episódio recente em que afirmou ter sido hostilizada durante uma atividade de campanha e classificou a situação como violência política de gênero. “A gente pode divergir sem agredir”, disse. A candidata defendeu que atos de intimidação sejam investigados e afirmou que o combate à violência contra as mulheres e ao feminicídio deve envolver toda a sociedade. A passagem por São Carlos, segundo o discurso apresentado na entrevista, reforça a estratégia de sua candidatura de aproximar o debate nacional de temas diretamente ligados ao interior paulista, como ciência, desenvolvimento econômico, segurança, recursos municipais e sustentabilidade.

 


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