Como a água se movimenta no corpo de uma planta? E qual a relação desse movimento com questões como as mudanças climáticas? Essas são questões centrais respondidas no livro teórico-prático “Movimento da água no corpo da planta”, organizado por Carlos Henrique Britto de Assis Prado, professor do Departamento de Botânica (DB) da UFSCar.
A obra, lançada em agosto, conquistou o primeiro lugar no prêmio de inovação, na categoria de extensão, no XX Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal, em Petrolina (PE), no mesmo mês.
O livro está disponível gratuitamente e com acesso aberto na Internet, no repositório Zenodo e no portal ResearchGate.
O destaque da obra, segundo o professor da UFSCar, é “a água como fio condutor para compreender a planta em diferentes níveis de organização, das moléculas ao contínuo solo-planta-atmosfera”. Esse percurso interdisciplinar levou ao desenvolvimento do modelo da Rede Hidráulica Lenhosa da Copa (RHLC), originado em estudos com árvores da Caatinga e do Cerrado e apoiado por experimentos simples, simulações e evidências ecológicas convergentes. “Perguntas simples, quando investigadas com rigor, podem integrar áreas do conhecimento, revelar princípios gerais e abrir novas fronteiras de pesquisa sobre a arquitetura hidráulica das plantas. Foi assim que o modelo RHLC foi construído”, detalha Prado.
Para o docente, a premiação impulsiona a divulgação do modelo RHLC e do próprio livro, uma obra de 923 páginas, de acesso gratuito, sobre as relações hídricas nos diferentes níveis de organização da planta. “O RHLC trata da hidráulica das árvores e arbustos. O modelo foi desenvolvido na UFSCar em colaboração com pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba; é único por utilizar a teoria de redes nesse campo e foi apresentado em artigos publicados em revistas importantes sobre o tema (Plant Ecology, Journal of Theoretical Biology, Ecological Modelling e Theoretical and Experimental Plant Physiology). O prêmio dará maior visibilidade à UFSCar, ao modelo nela desenvolvido e ao próprio livro de acesso aberto”, afirma.
Temas
Já no prefácio, a obra mostra que a compreensão do movimento da água nas plantas é central para enfrentar desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e os eventos de seca, e para promover o manejo sustentável de ecossistemas e de culturas agrícolas. Nesse contexto, o livro busca integrar abordagens clássicas a perspectivas contemporâneas, incluindo a aplicação da teoria de redes à arquitetura hidráulica das plantas.
O trabalho aborda “questões que integram os processos de transporte de água a curta distância (osmose, embebição e difusão) e a longa distância (fluxo no xilema), fundamentais para o funcionamento da planta ao longo de seu ciclo de vida”.
Método inovador
O método de desenvolvimento do livro é, segundo o professor da UFSCar, “totalmente inovador”:
“Não há nada que eu conheça que apresente o itinerário e a estrutura pedagógica do livro. A obra não é apenas teórica; conta com quatro práticas de longa duração, cada uma com quatro a oito horas de aula; não requerem equipamentos eletrônicos além de uma balança e utilizam materiais extremamente simples, encontrados em casa, em lojas de materiais de construção ou em laboratórios que disponham de ao menos uma balança de precisão”.
“São vários elementos pedagógicos que utilizamos em todos os capítulos: uma visão panorâmica do que o aluno aprenderá no início de cada capítulo, síntese ao final de cada capítulo com palavras-chave, resumos parciais e alertas de confusão ao longo de todos os capítulos, boxes com temas específicos, filmes e animações autorais, questionários com respostas, glossários extensos e mapas mentais ao final dos capítulos”.
Teoria e prática
Segundo o autor, os capítulos foram organizados de forma progressiva, permitindo que o leitor avance dos processos físico-químicos celulares à hidráulica da copa lenhosa e à sua relação com o funcionamento dos ecossistemas.
Dessa forma, a obra apresenta capítulos teóricos e práticos, com instruções para seu uso como material didático. Um pré-texto do livro aponta o caráter inovador da obra e como utilizá-la.
Organização do livro
A publicação resulta de um trabalho coletivo desenvolvido ao longo de 15 anos sob a organização de Carlos Henrique Britto de Assis Prado, e aborda, de forma integrada e progressiva, os princípios termodinâmicos e ecofisiológicos que regem o transporte de água nas plantas vasculares.
Com 923 páginas e estruturado em 14 capítulos, o trabalho constitui um material didático abrangente voltado à graduação e à pós-graduação em Ciências Biológicas, Agrárias e Ambientais.
Participam também da autoria da obra egressos de graduação (17 dos 20 autores), além de Carlos Aparecido Casali, técnico de laboratório aposentado do DB/UFSCar, e Lívia Haik Guedes de Camargo, que foi orientanda de doutorado do professor no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) da UFSCar. O trabalho também contou com colaboradores nas áreas de ilustração científica e documentação fotográfica, de concepção e desenvolvimento do modelo de Rede Hidráulica Lenhosa da Copa (RHLC) e de revisão crítica, além de colaboradores técnicos.
Premiação
O professor da UFSCar conta que esta foi a primeira edição do Congresso a incluir o concurso de inovação, em duas modalidades: empresarial e de extensão. Para ele, a premiação na modalidade de extensão “deu maior visibilidade ao livro, com muitos acessos desde a primeira versão disponibilizada até a edição atual. É um reconhecimento importante para um trabalho coletivo da UFSCar”.
Saiba mais sobre o XX Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal, no site https://cbfv2026.com.br.








