(*) Bianca Gianlorenço
Vivemos em uma sociedade marcada pela velocidade, pela cobrança e pela necessidade constante de produzir. Muitas pessoas aprenderam a continuar mesmo quando o corpo e a mente estão pedindo uma pausa. É nesse contexto que precisamos falar sobre burnout.
A síndrome de burnout é um esgotamento extremo associado diretamente ao trabalho. Envolve distanciamento ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.
Mas é importante compreender que burnout não aparece, necessariamente, de uma hora para outra. Muitas vezes, existem sinais que começam de maneira silenciosa: cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono, perda de motivação, sensação de sobrecarga e dificuldade de se desligar das responsabilidades profissionais.
Um ponto que considero fundamental, como psicóloga, é não normalizarmos o sofrimento.
É comum ouvirmos frases como: “é só uma fase”, “todo mundo está cansado”, “preciso dar conta”. O problema é quando a pessoa passa a acreditar que viver permanentemente no limite é normal.
Também precisamos compreender que falar sobre burnout não significa simplesmente responsabilizar o indivíduo. As condições de trabalho, a organização das atividades, a carga de responsabilidades, a falta de apoio, os conflitos e a forma como as relações profissionais são estabelecidas também precisam ser considerados.
Por isso, cuidar da saúde mental no trabalho é uma responsabilidade que envolve tanto o indivíduo quanto as organizações.
Precisamos criar ambientes onde as pessoas possam falar sobre dificuldades, estabelecer limites, ter relações profissionais mais saudáveis e buscar ajuda antes que o sofrimento se intensifique.
E existe uma diferença importante entre estar cansado e estar emocionalmente esgotado. O cansaço pode fazer parte de uma rotina intensa e pode melhorar com descanso. Já o sofrimento persistente merece atenção e não deve ser ignorado.
Buscar ajuda psicológica não é sinal de fraqueza. É uma forma de compreender o que está acontecendo e desenvolver recursos para lidar com aquilo que está sendo vivido.
Antes de perguntar quanto uma pessoa está produzindo, precisamos também perguntar como ela está.
Porque nenhuma organização é formada apenas por funções, metas e resultados. Por trás de cada profissional existe um ser humano!
(*) A autora é Psicóloga, inscrita no CRP/ SP sob o n° 06/113629 atuante desde 2013. Especialista em Psicologia Clínica com título concedido pelo Conselho Federal de Psicologia. Especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica. Especialista em Psicoterapia infantil. Psicanalista. São-carlense e fundadora da Clínica Gianlorenço – Saúde Mental e Física. Contato profissional: WhatsApp 16 997375436
Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do Jornal Primeira Página sobre o assunto.








