RESULTADOS

Lideranças evangélicas sofrem derrotas nas eleições

Rovena Rosa/Agência Brasil

As eleições evidenciaram uma série de derrotas para importantes igrejas evangélicas que apostaram em candidaturas próprias ou ligadas às suas estruturas. Duas denominações, em especial, protagonizaram fracassos eleitorais históricos: a Igreja Internacional da Graça de Deus, liderada pelo pastor R.R. Soares, e o Ministério de Madureira da Assembleia de Deus do Brás, comandado pelo pastor Samuel Ferreira.

No caso de R.R. Soares, os quatro filhos que buscavam a reeleição perderam seus mandatos. Em São Paulo, David R.R. Soares terminou apenas em décimo lugar na lista do Podemos, que elegeu seis deputados federais no estado. Daniel Soares ficou em 14º na chapa da federação formada por Progressistas e União Brasil, que conquistou nove cadeiras.

No Rio de Janeiro, o desempenho foi ainda mais fraco. Felipe R.R. Soares, candidato pelo PSDB, terminou como segundo suplente do único deputado estadual eleito pela federação com o Cidadania. Marcos R.R. Soares ficou como terceiro suplente de uma legenda que terá quatro deputados federais.

André R.R. Soares e seu primo Marcelo Crivella também não conseguiram chegar ao Senado pelo Republicanos. O ex-prefeito do Rio obteve apenas 3,39% dos votos, desempenho ainda assim superior ao de Waguinho, que teve 0,73% e contava com André como primeiro suplente.

A derrota também atingiu o núcleo político da Assembleia de Deus do Brás. O pastor Samuel Ferreira pretendia eleger quatro deputados somente em São Paulo, mas terminou sem nenhum dos nomes ligados diretamente à sua estratégia eleitoral.

Nem mesmo Cezinha de Madureira (PL), deputado federal da AD Brás e próximo do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), conseguiu a reeleição. Ele recebeu 60.596 votos e terminou em 21º lugar entre os candidatos do PL. Como o partido elegeu 19 deputados federais em São Paulo, Cezinha ficou fora. Na condição de segundo suplente, porém, ainda poderá assumir um mandato durante a legislatura.

A votação dos demais candidatos ligados ao grupo também ficou muito abaixo do necessário. Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa, Oseias de Madureira (PL) recebeu 42 mil votos, enquanto Elias de Madureira (PL) teve 32 mil. Oseias havia conquistado 137 mil votos em 2022 e fez uma campanha menos intensa desta vez porque está em tratamento de uma doença. Rogério de Madureira (PL), candidato a deputado federal e que fazia dobradinha com Alex, obteve 31 mil votos no interior.

O único candidato com “Madureira” no nome a conseguir uma eleição foi justamente aquele que já não mantém vínculo com a igreja do pastor Samuel Ferreira. Depois de se afastar da denominação, Alex Madureira deixou de usar a identificação “de Madureira” e quase dobrou sua votação. Pelo PL, recebeu 122 mil votos para deputado estadual e manteve sua cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Outra tentativa de ampliar a presença evangélica na política também fracassou. A Igreja do Evangelho Quadrangular decidiu dividir sua força eleitoral entre duas candidaturas à Alesp, ambas pelo PL, depois de ter conquistado cerca de 180 mil votos com o pastor Carlos Cezar, que posteriormente se tornou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A estratégia não funcionou. Lucas Flores recebeu 52 mil votos e Suéli Gonçalves, 44 mil, ficando, respectivamente, como quarto e sexto suplentes. Jefferson Campos foi o único nome do grupo a conseguir avançar e cumprirá seu sétimo mandato em Brasília.

A onda de derrotas também alcançou outros estados. Silas Câmara (Republicanos-AM), deputado de sete mandatos e ligado ao Ministério de Belém, não conseguiu se reeleger e ficou como primeiro suplente do único deputado eleito pelo partido no Amazonas. No Rio Grande do Sul, Fran Bayer (Republicanos-RS), outra candidata institucional da Assembleia de Deus do Brás, também não se reelegeu. Ela terminou como segunda suplente de uma bancada de dois deputados.

As poucas vitórias

Apesar dos resultados negativos para várias denominações, algumas igrejas conseguiram preservar ou ampliar sua representação política.

A Igreja Universal do Reino de Deus conseguiu reeleger Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, como deputado federal por São Paulo. O resultado, porém, veio acompanhado de uma derrota: Edna Macedo (Republicanos), irmã do bispo Edir Macedo, perdeu o mandato e terminou como quinta suplente do partido na Assembleia Legislativa.

Melhor desempenho teve o Ministério do Belém da Assembleia de Deus. O pastor José Wellington conseguiu reeleger sua filha, a deputada estadual Marta Costa (PSD), e também eleger o deputado federal Paulo Freire (PL), ambos por São Paulo.

Os resultados mostram, portanto, um cenário menos favorável para a atuação eleitoral de algumas das principais igrejas evangélicas. Em vez de uma expansão generalizada das bancadas ligadas às denominações, a eleição foi marcada por derrotas expressivas, perda de mandatos e dificuldades para transferir a força institucional das igrejas para as urnas. As vitórias ficaram concentradas em poucos grupos e candidaturas específicas.

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