Artigo

Voto, um direito do cidadão

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” –  (1 Timóteo 2:1-2)

Marco César Aga*

Apesar de ser um direito e da recomendação bíblica acima, parece que temos pessoas de todos os espectros, e de todos os lados, que preferem viver vida não tranquila, sem respeito e sem piedade. Temos hoje dois candidatos no segundo turno: um senador da república e um presidente que já exerceu o mandato por 12 anos e que atualmente está no exercício do cargo. No entanto, o que vemos nas redes sociais são expressões como as que vou reproduzir a seguir: “Lula ladrão seu lugar é na prisão” ou “Deus, pátria e quadrilha”, e muitas outras que você vai encontrar dando uma pequena volta pelas redes sociais. O sobrenome Bolsonaro está na vida pública há pelo menos 20 anos ou mais, e certamente os cargos de vereador, deputado, senador, presidente, ou outro mais ocupado por alguém da família, trouxe boas contribuições ao povo brasileiro, quer você goste ou não do viés politico que eles representam. Por sua vez Lula e o seu partido PT também trouxeram muitas contribuições ao povo brasileiro com os mandatos de deputados, senadores, da ex-presidente Dilma e do presidente em exercício. Ambos devem ter cometidos muitos erros e acertos, mas independente da sua simpatia por um ou outro, nossa participação no processo eleitoral deve ser tranquila, respeitosa e presente em todas as suas etapas. Quando as postagens se resumem a críticas quanto ao programa de governo de um ou de outro elas são legítimas e buscam, com certeza, ganhar a simpatia do eleitor por seu candidato, mas quando elas se prendem a ofensas, calúnias e difamações, muitas vezes inverídicas, a contribuição ao processo democrático se torna nociva, doentia e prejudicial à democracia. Afinal, o direito de escolher é uma conquista da liberdade, e respeitar a escolha do outro é uma demonstração de maturidade democrática. Defender nossas convicções e acreditar em projetos diferentes para o futuro do país é o cerne da democracia e do processo democrático. Conquistamos a liberdade de votar, mas parecemos cada vez menos dispostos a respeitar o voto alheio. Basta uma eleição para que amizades sejam abaladas, famílias se dividam e antigos companheiros se transformem em desafetos, e o debate que deveria ser de ideias e opiniões se transforma em um campo de ofensas, acusações e intolerância. Discordar se transforma em desqualificar, humilhar, postar leviandades e até romper relações com quem pensa diferente. É natural que pessoas com trajetórias diferentes, experiências de vida diferentes, relações pessoais diferentes, façam escolhas diferentes. A democracia exige sim, que o outro possua os mesmos direitos que nós e tenha a liberdade de consciência e de convicção política. Afinal, nenhum candidato é dono da verdade e da democracia, e não representa a totalidade da sociedade e nem detém o monopólio da boa governança. O voto é um direito do cidadão e revela nossas escolhas, mas o respeito revela nossa capacidade de conviver com as escolhas dos outros. A democracia não combina com intolerância, pois quando a paixão por um candidato é maior que o respeito pelo próximo, a política deixa de ser instrumento da democracia.

*Marco César Aga – ex-prefeito de Casa Branca/SP.

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