ENTREVISTA!!!

Luiz Marinho defende fim da escala 6×1

Fotos: Paulo Mello

PAULO MELLO

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu nesta quarta-feira (21), em São Carlos, o fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que a ampliação do descanso semanal poderá melhorar a produtividade das empresas e a qualidade de vida dos trabalhadores. Durante entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM 107,9, conduzida pelos jornalistas Ivan Luccas e Paulo Mello, o ministro também discutiu a geração de empregos, o poder de compra dos brasileiros, as regras do Bolsa Família e o desenvolvimento de uma plataforma alternativa para motoristas e entregadores de aplicativos.

Um dos principais assuntos foi a mudança da escala 6×1, caracterizada por seis dias de trabalho e um de descanso, para o modelo 5×2. Marinho afirmou que a implementação das novas jornadas exige diálogo entre empresários e sindicatos, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, saúde e serviços.

Segundo o ministro, experiências de empresas que anteciparam a adoção de duas folgas semanais demonstram resultados positivos. Ele citou o caso de um estabelecimento do Distrito Federal que enfrentava dificuldades para preencher vagas e registrava uma média de 24 ausências diárias. Conforme seu relato, após a mudança de escala, a empresa conseguiu completar seu quadro de funcionários e eliminar as faltas.

“Eu estou seguro que o fim da escala 6×1 vai trazer ganho de produtividade para as empresas, de todos os setores”, afirmou.

Questionado sobre os reflexos da mudança no comércio, principalmente durante a Black Friday e as vendas de Natal, Marinho ressaltou que a legislação não deve impor um modelo único a todas as atividades. Para ele, convenções e acordos coletivos terão papel fundamental na definição das escalas, respeitando as particularidades de cada segmento.

Mudanças no MEI

O ministro também abordou a contratação de trabalhadores como microempreendedores individuais (MEIs) em situações que podem caracterizar vínculo empregatício. Ele criticou a utilização desse mecanismo para substituir contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e alertou para possíveis irregularidades trabalhistas.

Outro ponto da entrevista foi a perda do poder de compra das famílias. Questionado por Paulo Melo sobre as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros para adquirir alimentos e outros produtos, Marinho reconheceu que o aumento das despesas compromete o orçamento doméstico. Defendeu, entretanto, que a recuperação da renda depende não apenas da valorização do salário mínimo, mas também de negociações sindicais capazes de garantir aumentos reais às diferentes categorias profissionais.

Na avaliação do ministro, o crescimento salarial precisa ser acompanhado de medidas de controle da inflação e responsabilidade fiscal, para evitar que eventuais reajustes sejam anulados pela elevação dos preços.

A relação entre programas sociais e mercado de trabalho também entrou na pauta. Marinho explicou que a contratação com carteira assinada não provoca necessariamente o cancelamento imediato do Bolsa Família. Segundo ele, a continuidade do pagamento depende da renda familiar e das regras de transição estabelecidas pelo programa.

Motoristas de aplicativos

Durante a conversa, o ministro apresentou ainda uma iniciativa voltada aos profissionais que trabalham por aplicativos. Segundo Marinho, o governo federal contratou a Universidade Federal de Santa Maria para desenvolver uma plataforma alternativa de transporte e entregas, com a proposta de reduzir os valores retidos pelas empresas e ampliar a remuneração dos trabalhadores.

O projeto, ainda em desenvolvimento, deverá ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marinho também defendeu a regulamentação do setor, com maior proteção previdenciária, transparência nas relações de trabalho e mecanismos de segurança para motoristas e entregadores.

A discussão ganhou relevância regional após a lembrança de um assassinato de motorista de aplicativo em São Carlos, caso que motivou debates sobre os riscos enfrentados pelos profissionais. O ministro reconheceu a necessidade de aprimorar a proteção desses trabalhadores e afirmou que o assunto exige participação do governo, do Congresso Nacional e das empresas responsáveis pelas plataformas.

Na área de qualificação profissional, Marinho destacou uma parceria do Ministério do Trabalho e Emprego com a Microsoft para oferecer cursos de capacitação digital. A iniciativa contempla conteúdos de informática, educação financeira e inteligência artificial, com possibilidade de participação de prefeituras, associações comerciais e empresas.

Ao final da entrevista, o ministro apresentou informações sobre programas federais desenvolvidos em São Carlos, incluindo investimentos em educação, assistência social e habitação. Também incentivou a participação dos eleitores no segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), defendendo uma escolha baseada nas propostas dos candidatos.

A passagem de Luiz Marinho pela São Carlos FM colocou em debate temas de interesse direto de trabalhadores e empregadores da região. A reorganização das jornadas, a recuperação dos salários, a qualificação profissional e a regulamentação das plataformas digitais estão entre os desafios que devem influenciar as relações de trabalho e a atividade econômica nos próximos anos.

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