Coluna do Braga

Sabendo conviver com a solidão, ela deixa de ser incômoda

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Em um mundo hiperconectado, a solidão, muitas vezes, é vista como um fardo, um sinal de isolamento ou até mesmo um fracasso social. Entretanto, uma nova perspectiva emerge: a de que, ao invés de temê-la, podemos aprender a conviver com ela e, assim, transformá-la de uma presença incômoda em uma aliada poderosa para o autoconhecimento e o bem-estar.

A solidão, em sua essência, não é a ausência de pessoas, mas sim uma percepção subjetiva de distanciamento, seja física ou emocional. É comum confundi-la com o isolamento social, que é a falta de contato com outros. No entanto, é possível estar rodeado de gente e sentir-se profundamente só, assim como é possível estar fisicamente sozinho e não sentir qualquer traço de solidão, mas sim plenitude e paz.

O segredo para desmistificar o incômodo da solidão reside em mudar a forma como a encaramos. Se a vemos como um vazio a ser preenchido a qualquer custo, ela será sempre uma fonte de angústia. Contudo, se a compreendemos como um espaço, um tempo dedicado a nós mesmos, sem as pressões e interrupções do mundo exterior, ela se revela uma oportunidade valiosa. É nesse silêncio que, muitas vezes, conseguimos ouvir nossos próprios pensamentos, processar emoções, refletir sobre a vida e planejar o futuro com maior clareza.

Para muitos, a ideia de estar sozinho pode evocar medos profundos, como o de ser esquecido ou de não pertencer. Superar essa barreira inicial exige um exercício de auto aceitação e de ressignificação. Começa-se por pequenas doses: desfrutar de um café sozinho, fazer uma caminhada sem companhia, ler um livro ou assistir a um filme sem a necessidade de interação imediata. Gradualmente, essas experiências podem se tornar momentos de prazer genuíno.

Ao invés de buscar preencher o tempo com distrações constantes, conviver com a solidão significa aprender a apreciar a própria companhia. É no tempo a sós que hobbies podem ser cultivados, habilidades podem ser desenvolvidas e a criatividade pode florescer sem amarras. É o momento de mergulhar em projetos pessoais, de praticar a meditação ou o mindfulness, e de simplesmente “ser”, sem a necessidade de desempenhar um papel social.

Em última análise, a capacidade de estar bem consigo mesmo, mesmo na ausência de outros, é um pilar da inteligência emocional e da saúde mental. Aqueles que aprendem a valorizar e a utilizar a solidão de forma construtiva tendem a desenvolver uma maior autoconfiança, uma compreensão mais profunda de suas próprias necessidades e desejos, e, paradoxalmente, relacionamentos interpessoais mais ricos e autênticos quando optam por se conectar.

Saber conviver com a solidão não é isolar-se do mundo, mas sim reconhecer que a felicidade e a plenitude podem e devem ser encontradas primeiro dentro de si. Ao abraçá-la como um período de enriquecimento pessoal, ela deixa de ser uma ameaça e se transforma em um porto seguro, um refúgio para o espírito em meio à agitação da vida moderna.

David John Braga Jr.

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