ENTREVISTA!!!

Presidente do SAAE detalha desafios do abastecimento, investimentos e taxa do lixo na São Carlos FM

Foto: Paulo Mello / São Carlos FM

PAULO MELLO
Da redação

Em entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta sexta-feira (9), o presidente do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), Derike Contri, fez um amplo balanço da atuação da autarquia, esclareceu dúvidas recorrentes da população e apresentou detalhes sobre investimentos estruturais previstos para São Carlos. A conversa abordou desde falta d’água, leitura de consumo, taxa do lixo, obras em vias públicas, ecopontos e financiamento milionário até a reafirmação de que não há qualquer intenção de privatização do serviço.

Logo no início da entrevista, Derike destacou a importância de aproximar a gestão do SAAE da população e comentou a repercussão de um vídeo publicado durante o Natal, no qual mostrou que também enfrenta falta d’água em sua residência. Segundo ele, a iniciativa buscou demonstrar que os problemas atingem toda a cidade, inclusive gestores e autoridades. “Nós sofremos o que a população sofre. Não estamos isentos dos problemas do dia a dia”, afirmou.

Contas mais altas

Um dos principais temas da entrevista foi a reclamação de moradores sobre contas de água com valores acima do habitual. Derike foi enfático ao afirmar que não houve aumento na tarifa de água. Segundo ele, a elevação pontual em algumas faturas está relacionada ao número maior de dias entre as leituras, causado por pontos facultativos no serviço público.

De acordo com o presidente do SAAE, a Agência Reguladora (ARES-PCJ) autoriza leituras em ciclos que variam de 25 a 35 dias. Em períodos com feriados prolongados e pontos facultativos, como ocorreu recentemente, a leitura pode acontecer mais próxima do limite máximo, o que gera consumo acumulado. “Se a conta veio com sete dias a mais de consumo, é natural que o valor fique maior. Na próxima, a tendência é reduzir”, explicou, alertando que situação semelhante pode ocorrer novamente no Carnaval.

Ele reforçou que, caso o consumidor identifique valores muito fora do padrão, pode procurar os postos de atendimento do SAAE e solicitar a revisão da conta. “O SAAE está sempre de portas abertas. A gente não quer prejudicar ninguém”, destacou.

Sobre a presença de ar na rede, Derike explicou que o problema pode ocorrer em situações de desabastecimento e retorno do fornecimento, sendo algo inevitável do ponto de vista técnico. Ainda assim, reiterou que o consumidor que se sentir prejudicado pode solicitar verificação e revisão. “Nosso objetivo é total transparência”, disse.

Taxa do lixo: cobrança na conta de água e sem reajuste

Outro ponto que gerou dúvidas foi a taxa do lixo, que passou a ser cobrada junto à conta de água. O presidente do SAAE explicou que a cobrança começa a aparecer nas contas com vencimento em fevereiro, referentes ao mês de janeiro. Imóveis que ainda não receberam fatura com vencimento em fevereiro não terão a taxa nesse primeiro momento.

Segundo Derike, não houve reajuste da taxa do lixo em relação ao ano anterior. Ele explicou que a percepção de aumento ocorre porque, em 2024, a cobrança foi feita em 10 parcelas, enquanto em 2025 será diluída em 12 meses. “Se fizer a conta na mesma proporção, o valor é praticamente o mesmo”, afirmou. Para terrenos não edificados, houve redução de 50% no valor, e nesses casos o carnê continua sendo utilizado.

No caso de imóveis com mais de uma ligação de água no mesmo terreno, a cobrança será individualizada. “Se existem três ligações, são três geradores de resíduos, portanto três taxas do lixo”, explicou.

Derike esclareceu que o único reajuste recente foi no esgoto, decorrente da última revisão tarifária da ARES, implementada entre setembro e outubro. A cobrança foi equiparada à tarifa de água devido ao alto custo do tratamento de esgoto. “Hoje, tratar esgoto é mais caro do que tratar água”, explicou.

R$ 100 milhões em investimentos e obras estruturantes

Durante a entrevista, o presidente do SAAE detalhou o anúncio de cerca de R$ 100 milhões em investimentos, viabilizados por meio de linha de financiamento — e não recursos a fundo perdido. O financiamento ainda depende do cumprimento de parâmetros financeiros do município, que estão sendo tratados em conjunto com a equipe econômica da Prefeitura. A expectativa é concluir o processo ainda neste ano.

Além disso, o SAAE teve diversos projetos habilitados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), incluindo melhorias na captação superficial do Ribeirão do Feijão, modernização da ETA-CEAT, implantação de poços profundos no Jardim do Corpal e no Salto do Mojolinho, além de obras de esgotamento sanitário na região do Varjão. Algumas dessas intervenções, segundo Derike, são demandas antigas, inclusive do Ministério Público, desde 2010.

Falta d’água e consumo consciente

Questionado sobre a possibilidade de adoção de racionamento de água, Derike afirmou que não há previsão de racionamento em São Carlos. Ele reconheceu o cenário de crise hídrica em todo o estado, mas destacou que o SAAE tem adotado medidas técnicas, como redução de pressão noturna, para minimizar perdas.

“O consumo aumenta muito em dias quentes. Por isso, pedimos que a população evite usos não prioritários, como lavar calçadas e carros”, disse. Ele também comentou a dificuldade de impor punições aos consumidores, ressaltando que hoje não há multas previstas, mas defendeu a discussão de mecanismos regulatórios semelhantes às bandeiras tarifárias da energia elétrica em períodos críticos.

Obras, transtornos e trabalho noturno

Sobre intervenções em vias movimentadas, como na região central, Derike explicou que o trabalho noturno enfrenta entraves legais, trabalhistas e operacionais. Além do custo com horas extras, há impactos sonoros e reclamações de moradores. “Não é uma decisão simples. Precisamos equilibrar o impacto ao comércio, ao trânsito, aos servidores e aos moradores”, explicou.

Em situações emergenciais, como rompimento de adutoras, equipes de plantão são acionadas independentemente do horário.

Tapa-buracos: técnica e falta de mão de obra

O presidente do SAAE detalhou o motivo da demora no fechamento definitivo de buracos após reparos na rede. Segundo ele, há uma exigência técnica de substituição do solo e compactação adequada, que pode levar de 10 a 15 dias para garantir estabilidade e evitar rebaixamento do asfalto.

O serviço de tapa-buracos é terceirizado e enfrenta dificuldades de contratação devido ao trabalho braçal envolvido. Atualmente, duas equipes atendem toda a cidade. Apesar disso, o tempo efetivo para aplicação da massa asfáltica, quando a equipe atua, é de cerca de 30 a 40 minutos por ponto.

Privatização: não há qualquer intenção

Ao final da entrevista, Derike voltou a reforçar que não existe qualquer plano de privatização ou concessão do SAAE. Segundo ele, o prefeito Netto Donato (PP) já foi claro sobre o tema, e não houve nenhuma manifestação oficial do Governo do Estado nesse sentido. “Não há privatização do SAAE”, reiterou, buscando tranquilizar servidores e a população.

Por fim, o presidente informou que o município foi contemplado, via PAC, com recursos para a implantação de seis novos ecopontos, embora os locais ainda estejam em estudo, em conjunto com a Prefeitura. Ele destacou também a reutilização de resíduos da construção civil descartados nos ecopontos como material agregado em obras de reparo da rede, reduzindo custos e promovendo reaproveitamento.

Ao encerrar, Derike Contri agradeceu o espaço e reforçou o compromisso com a transparência. “A cidade depende do SAAE. Nosso papel é oferecer o melhor serviço possível e dar informações claras à população”, concluiu.

 

Assista a entrevista na íntegra:

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