Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta requalificação, integração com IA e parceria com educação como prioridades para empresas e poder público
O Informativo Econômico da ACISC, divulgado nesta segunda-feira (02), traz uma análise dos principais pontos do Future of Jobs Report 2025, estudo publicado pelo Fórum Econômico Mundial e apresentado durante o encontro anual de Davos. O relatório projeta transformações profundas no mercado de trabalho global até 2030, impulsionadas pela inteligência artificial generativa, pela transição ecológica e pelas mudanças demográficas.
O documento destaca que a requalificação e o aprimoramento de habilidades deixarão de ser diferenciais para se tornarem necessidade. Além das competências técnicas ligadas a dados e tecnologia, ganham peso habilidades comportamentais como resiliência, liderança, criatividade e alfabetização digital.
As conclusões se baseiam em consultas a mais de mil empresários, de diversos países e setores, que apontam a urgência de integração entre empresas e o setor educacional, público e privado. A recomendação é que organizações e secretarias municipais de emprego e desenvolvimento mantenham observatórios permanentes de competências, capazes de mapear lacunas de qualificação e elevar a produtividade.
O estudo estima que, em um grupo de 100 trabalhadores, 59 precisarão de treinamento até 2030: 29 poderão ser aprimorados em suas funções atuais, enquanto 19 precisarão ser requalificados para novas posições dentro das empresas. Para enfrentar esse cenário, o relatório aponta seis estratégias centrais, entre elas a priorização do upskilling interno, a colaboração entre humanos e IA, a transição de funções em declínio para áreas em crescimento, a contratação baseada em competências (skills-first), o investimento em habilidades socioemocionais e a ampliação de pools de talentos por meio de diversidade e inclusão.
Para a presidente da ACISC, Ivone Zanquim, o relatório reforça um movimento que já está em curso no ambiente empresarial local. “As empresas precisam olhar para o desenvolvimento das pessoas como estratégia central. Investir em capacitação contínua não é custo, é condição para competitividade, inovação e geração de renda”, afirma.
Na avaliação do economista do Núcleo Econômico da ACISC, Elton Casagrande, o foco do mercado de trabalho migra cada vez mais da quantidade para a qualidade. “O relatório deixa claro que o trabalhador do futuro será aquele que aprende ao longo da vida. Isso tende a refletir em melhores rendimentos salariais, mas também exige planejamento das empresas e políticas públicas alinhadas com a realidade produtiva de cada região”, destaca.
O Informativo Econômico da ACISC conclui que o desafio até 2030 não será apenas criar vagas, mas preparar pessoas para ocupá-las, conciliando tecnologia, desenvolvimento humano e crescimento sustentável.
