Do auge ao silêncio

Entre memórias e abandono, o que restou do antigo Clube de Campo da Abasc; veja o vídeo

Cenário atual contrasta com o passado do local, que durante décadas foi sinônimo de lazer, encontros familiares e grandes momentos da vida social são-carlense/Drones Le Petit

Marcos Escrivani

Uma grande área às margens da rodovia Engenheiro Thales de Lorena Peixoto Junior (SP-318) – sentido Ribeirão Preto -, onde funcionou por décadas, o tradicional Clube de Campo da Abasc, que reunia famílias aos finais de semana e foi um dos mais importantes espaços de lazer e convivência de São Carlos, atualmente encontra-se na ociosidade e dividida entre três interessados.

Parte do terreno está sob posse do Grupo Santa Cruz, outra área foi adquirida pelo proprietário da empresa de bebidas Leve Fácil e uma terceira parte ainda não possui informações públicas confirmadas sobre sua destinação. Uma das áreas, inclusive, já possui autorização para implantação de um cemitério, aprovado no primeiro semestre de 2025, embora nenhuma obra tenha sido iniciada até o momento.

O cenário atual contrasta com o passado do local, que durante décadas foi sinônimo de lazer, encontros familiares e grandes momentos da vida social são-carlense. Referência no interior paulista, o espaço marcou gerações entre as décadas de 1970 e 1990, quando milhares de associados frequentavam o clube nos finais de semana, transformando a área em um dos principais pontos de convivência da cidade.

Uma história que começou com os alfaiates

A trajetória da Associação Beneficente dos Alfaiates de São Carlos (Abasc) teve início em 23 de setembro de 1939, fundada por profissionais da costura liderados por Carmine Botta, Antonio Talarico Filho e Albano Ferro.

A primeira sede funcionou em um prédio na Rua Jesuíno de Arruda, adquirido com apoio de empresas atacadistas da capital paulista. O crescimento da entidade levou à abertura do quadro social para a comunidade em 1957, ampliando o alcance da associação. Dois anos depois, foi inaugurado o salão social, que rapidamente se tornou palco de eventos e encontros importantes da cidade.

O clube que virou referência estadual

A consolidação da Abasc veio com a criação do Clube de Campo, instalado às margens da Rodovia Engenheiro Thales de Lorena Peixoto Júnior (SP-318). O espaço se transformou em um verdadeiro complexo de lazer, reunindo piscinas, quadras esportivas, academia, sauna, parques infantis, campos de futebol e áreas para eventos.

O clube também entrou para a memória coletiva dos são-carlenses por meio de festas que atravessaram gerações. Bailes tradicionais, como o famoso Baile do Jeans, além de carnavais e shows com artistas consagrados, transformaram o local em um dos principais polos culturais e recreativos do município.

Para muitas famílias, frequentar o clube era mais do que lazer. Era um ritual de convivência, amizade e construção de memórias que ainda hoje fazem parte da história afetiva da cidade.

Transformações e o início do declínio

A partir dos anos 2000, a Abasc passou por mudanças estruturais que marcaram o início de um período de retração. Entre 2002 e 2003, a tradicional sede social da Rua Jesuíno de Arruda foi vendida.

Já em 2012, uma tentativa de revitalização levou à parceria para a construção do Hotel Blue Tree Towers em parte da área do clube de campo, em um modelo que buscava garantir renda para manutenção das atividades.

No ano seguinte, outra mudança significativa ocorreu com a doação de parte do terreno à Prefeitura de São Carlos, destinada à construção de uma avenida marginal, facilitando o acesso a novos loteamentos na região.

Apesar das tentativas de reestruturação, o clube passou a enfrentar queda no número de frequentadores e dificuldades de manutenção, resultando no abandono gradual de suas estruturas.

Memórias que permanecem vivas

Mesmo com o abandono físico, o Clube de Campo da Abasc continua vivo na lembrança de milhares de moradores de São Carlos. Para muitos, o local representa uma época em que o lazer coletivo, os encontros sociais e o espírito comunitário faziam parte da rotina das famílias.

Entre piscinas lotadas, campeonatos esportivos, bailes e carnavais, o clube ajudou a construir capítulos importantes da história cultural e social da cidade. Hoje, o espaço permanece como símbolo de um tempo que marcou gerações e que ainda desperta sentimentos de nostalgia e pertencimento entre antigos frequentadores.

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