Artigo

A beleza de sermos diferentes

“A natureza não pede licença para ser diversa”. – Boaventura de Sousa Santos.

“Se és diferente de mim meu irmão, longe de me prejudicares, tu me enriqueces”. – Antoine de Saint-Exupéry.

Marco César Aga*

A diversidade é nossa maior riqueza.Todas as sociedades em que vigorou um regime totalitário, por tempos ou épocas, experimentou no final momentos de tragédia, endividamento, regresso e degradação social, seja de direita ou de esquerda. A China, antes comunista, só experimentou um avanço social e econômico, com aumento expressivo do PIB (Produto Interno Bruto) e enriquecimento do país, após a mudança de governo e de filosofia política e social. Enfim, vários outros países mundo afora, tem experimentado na pluralidade de opiniões, na diversidade filosófica e no modelo alternado de política administrativa e social grandes avanços em suas comunidades. Em contrapartida países como Brasil, EUA e muitos europeus já carregam em suas formações sociais e políticas uma diversidade ideológica que se retrata na formação dos partidos políticos, na opinião da sociedade e na cultura sócio educativa do seu povo, permitindo que a participação coletiva no processo de escolha de seus representantes retrate essa diversidade no executivo e no legislativo que são alvo da escolha democrática direta. Afinal, a diversidade retrata quem somos, seres humanos, que precisam passar por esse mundo e por essa vida com um mínimo de dignidade e respeito. Os sorrisos são iguais em todas as partes do mundo, o choro não tem idioma nem bandeira, pais e mães se preocupam com seus filhos em toda parte e todas as crianças do mundo sonham da mesma forma. Quando olhamos para as carências  materiais e emocionais de todos nós, é difícil acreditar que somos distintos, que não temos as mesmas necessidades. Muitos querem nos tornar diferentes uns dos outros, mas a vida grita a todo instante que somos bastante parecidos, que somos iguais em alegrias e dificuldades, que precisamos uns dos outros para atravessar essa caminhada terrena. Portanto, precisamos crescer sempre a cada experiência que atravessamos, crescer como cidadão, como sociedade, como seres humanos que dependem uns dos outros. Uma sociedade que aprende a conviver com as diferenças se torna mais rica e produtiva. A natureza nos ensina que um jardim se torna mais bonito porque todas as flores tem sua cor, seu perfume e sua particularidade distintas. As pessoas trazem experiências pessoais, histórias, culturas e valores que as tornam únicas e é nessa pluralidade que reside a força da humanidade. É fácil respeitar quem pensa como nós, acredita no que acreditamos e concorda com nossas opiniões. Ainda temos pessoas que transformam diferenças em muros, em ofensas e em motivos para o ódio. Precisamos sempre relembrar que somos parte da mesma humanidade e compartilhamos necessidades essenciais: dignidade, respeito, liberdade, segurança e esperança. Há uma beleza silenciosa na diversidade. Uma sociedade que respeita as diferenças aprende a ser verdadeiramente humana.

*Marco César Aga – ex-prefeito de Casa Branca/SP.

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