“O castigo para os que não gostam da política é que serão governados pelos que gostam” – Platão
“O pior analfabeto é o analfabeto político” – Bertolt Brecht
Marcos César Aga*
Platão defendia que pessoas capazes e responsáveis não deveriam se omitir da vida pública, pois essa omissão abriria espaço para pessoas despreparadas governarem. Segundo ele, quando esses se afastam da política, não deixam de ser afetados por ela. Apenas abrem mão de participar das decisões que afetam suas próprias vidas. É um equivoco imaginar que não gostar de política significa estar livre de suas consequências. Quem não se lembra do jingle de campanha de Jânio Quadros: ”varre varre vassourinha, varre varre a roubalheira”. Nos levou a maior ditadura de nossa história. E o “caçador de marajás” que confiscou nosso dinheiro e provocou uma das maiores depressões coletivas de nossa história. Pois bem, a despolitização causa consequências graves à sociedade. Sou corintiano de nascimento, lembro de meu pai sofrendo com o Corinthians na década de 60 e aquilo me fez um fiel torcedor. Tenho amigos que não vestem nada de cor verde por ser a cor do Palmeiras, nosso maior rival. O que isso tem a ver com a política? Muito. A despolitização nos leva a tratar a política e a vida pública como se fossem times de cor diferente. Alguns “espertalhões” sabem disso e vestidos em “pele de cordeiro” jogam o jogo da democracia como se fosse um campo de futebol. Caluniam, difamam, inventam, mentem e passam a vida vivendo do trabalho e do suor de muita gente. Assim acontece, enquanto alguns se afastam, outros ocupam lugares que decidem prioridades, distribuem recursos e gerenciam os rumos da comunidade. Uma sociedade despolitizada fica mais vulnerável aos mal intencionados, às notícias falsas, aos discursos vazios e àqueles que exploram o medo e a ignorância para conquistar o poder. Sem pensamento critico o debate cede lugar à intolerância, aos ataques, à mentira, e as ideias são julgadas apenas pela identidade de quem as defende. Feio, bonito, alto, baixo, esquerda, direita, socialista, capitalista, conservador, progressista. São características que não podem definir nossa participação em um processo eleitoral. A política não é propriedade de partidos, governos ou candidatos que sempre se apresentam, não significa disputar cargos ou filiar-se a uma legenda. Significa informar-se, questionar, debater, entender as propostas, analisar o histórico do candidato, e encontrar soluções coletivas que atendam a maioria. Sem isso, a divergência se torna inimizade e uma sociedade que não participa e não conversa sobre seus problemas não encontrará caminhos para superar os problemas e encontrar soluções. Sou corintiano até hoje, mas meu pai foi um cara de centro-direita e eu me considero de centro-esquerda, não tratei a política como uma disputa de futebol, mas revejo com saudade os grandes valores que meu pai carregava e quanto contribuiu para a sociedade da qual participou em sua época. Afinal, para que o mal triunfe, basta que as pessoas de bem não façam nada. A democracia não morre quando lhe roubam a liberdade, ela enfraquece quando, por indiferença, você entrega a outros o direito de decidir seu destino.
* Marcos César Aga – ex-prefeito de Casa Branca/SP.
