Nos EUA

Em carta, Flávio Bolsonaro se autoproclama presidente eleito

Lula Marques/Agência Brasil

Naomi Matsui/AE

O candidato à Presidência derrotado Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira, 28, uma carta em se autoproclama o “presidente eleito do Brasil”. A declaração foi compartilhada pelo influenciador digital Paulo Figueiredo. A reportagem entrou em contato com a assessoria de Flávio e com seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL), mas ainda não obteve resposta sobre a veracidade do documento.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, diz o documento na abertura.

Em sua primeira versão divulgada, a carta trazia um brasão escrito “Estados Unidos do Brazil”, nome adotado após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Depois, Figueiredo enviou outra versão, com o brasão que dizia “República Federativa do Brasil”, nome atual do Brasil.

Flávio acusa, sem provas, o Supremo Tribunal Federal (STF), em conluio com o PT, de ter promovido uma fraude eleitoral, sob o argumento de que a votação continuou mesmo com parte das urnas lacradas.

“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, disse.

Ele não cita, porém, que sua campanha também entrou com um pedido para prorrogar o horário de votação em 17 cidades, alegando que chuvas teriam atrapalhado o deslocamento de eleitores.

Flávio se descreve como perseguido político e vítima de uma caça às bruxas e comenta o fato de ter fugido do Brasil. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime”.

O candidato do PL se compara a nomes como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado e diz que liderará a oposição dos Estados Unidos.

“Liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr … Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil”, continuou.

Ele ainda agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pela ajuda – Flávio se deslocou para a Argentina para, de lá, partir para solo norte-americano. O senador também se referiu a Rogério Marinho (PL-RN) como seu “candidato à Presidência do Senado”.

No domingo, Flávio Bolsonaro afirmou ser impossível reconhecer o resultado do 2º turno e que pediria anulação do pleito. No dia seguinte, após conversa com sua equipe jurídica, no entanto, sua campanha afirmou que ele havia desistido de sustentar essa tese. Na terça, Flávio fugiu do País, apesar da intimação da Polícia Federal para que não deixasse o Brasil.

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