“Se o difamado reage, dirão que se traiu; se emudece, lhe apontarão no silêncio a impossibilidade da defesa.” – Rui Barbosa
“O passado não pede saudade, pede memória” – frase contemporânea
Marco César Aga*
A política por vezes é interessante, cada governo jura que inaugurará uma nova era, cada projeto idealizado se vende como solução definitiva, mas a história, essa velha desconfiada, só observa. E quando resolve falar, fala mais alto que qualquer discurso oficial. O presente sempre insiste em se vender como novidade, mas a história não se ilude. Há homens que não precisam levantar a voz para serem ouvidos. Sua história fala por eles. História construída nas realizações, na luta e nas noites de insônia, quando a preocupação com o outro e com o governo era maior que o descanso. Hoje vivemos um tempo em que as mentiras criam slogans, aumentam as novidades, mas de repente a história vem, limpa a garganta e fala. E quando fala, ela não pede licença. Nas cidades pequenas e médias do interior todos se conhecem pelo nome, ou pelo menos pelo apelido. Conhecem a história que cada um construiu em tantos anos de convivência social, escolar, profissional e familiar. Na verdade, cada um deixa gravado pelo caminho, em cada esquina da vida e da cidade, as histórias que escreveu. Alguns de trabalho, de gratidão, de solidariedade, de amizade, de uma palavra amiga dita na hora certa, outros ao contrário, escreveram páginas de desamor, insensibilidade e descaso. Com o vento das fakes news, criam, aumentam, distorcem e o que antes era confiança vira dúvida. Estórias que tentam apagar o que está escrito em suor, trabalho, dedicação e verdade. Mas, tem algo que não se apaga: a memória coletiva. A família que mora em uma casa que foi construída, o jovem que estudou por conta de um programa social gratuito, o morador que recebeu um asfalto que valorizou seu imóvel e sua vida, a limpeza do seu bairro, os eventos que trouxeram força para a economia e divertimento e alegrias a tanta gente, o hospital que pode hoje atender melhor pelas benfeitorias e reformas que sofreu. As fakes news gritam, mas a história de um homem fala baixo e permanece. É como o sino de uma Igreja, ecoa suave, atravessa gerações e nunca deixa de ser ouvido. Assim é, que todos aprendem que o tempo é o maior juiz. A verdade encontra sempre abrigo no coração de quem viveu e sentiu tudo que foi feito por um governante. Nada fala mais alto do que isso. As mentiras nascem rápidas, mas morrem cedo. O trabalho e a verdade não, ficam gravados no tempo, no olhar de quem viu e no coração de quem sentiu. A história sempre será luz, e luz não se apaga. Escutar a história exige humildade, ela não é saudade, é verdade, ela exige memória, pois ela pode até esperar, mas nunca esquece.
*Marco César Aga – ex-prefeito de Casa Branca/SP.
