PAULO MELLO
Da redação
Um sonho cultivado desde a adolescência, amadurecido ao longo de anos de formação esportiva e transformado em projeto concreto. Foi assim que nasceu o Centro de Treinamento Team ZD, apresentado ao público durante entrevista concedida por Karine Muller e Wendy Simão ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, nesta terça-feira (13).
As duas treinadoras, ambas com 30 anos, explicaram que a ideia de abrir um espaço próprio começou ainda na juventude, quando treinavam ginástica artística juntas, desde 2004, em uma academia da cidade. O projeto inicial não envolvia o Cheerleading, mas a ginástica. Com o tempo, porém, a vivência acadêmica e esportiva levou as duas a descobrir uma nova modalidade — coletiva, dinâmica e em expansão no Brasil.
“Era um sonho antigo, mas que foi se transformando conforme a gente crescia, estudava e atuava profissionalmente. Hoje, abrir o ginásio é a realização de um grande sonho nosso e também a chance de realizar o sonho de outras pessoas por meio do esporte”, destacaram.
O que é o Cheer (Cheerleading)
Durante a entrevista, Karine e Wendy esclareceram ao público o significado do termo Cheer, abreviação de Cheerleading. A modalidade surgiu historicamente como animação de torcida em eventos esportivos, mas evoluiu para um esporte independente, competitivo e com alto nível técnico.
No formato competitivo, trabalhado pelo Team ZD, as apresentações têm duração média de dois a dois minutos e meio e reúnem elementos como elevações, lançamentos, pirâmides humanas, saltos, acrobacias de solo e dança. Tudo é executado de forma coreografada, com avaliação comparativa entre as equipes, levando em conta grau de dificuldade, execução técnica, criatividade, performance e estrutura geral da rotina.
Diferentemente da ginástica artística, em que cada falha possui desconto previamente definido, o Cheerleading é avaliado de forma mais subjetiva, considerando o conjunto da apresentação e o desempenho relativo entre os competidores de um mesmo nível.
Esporte coletivo e pertencimento
Um dos pontos mais enfatizados pelas entrevistadas foi o caráter coletivo do Cheerleading. Ao contrário da ginástica, que é essencialmente individual, a modalidade exige confiança mútua entre os atletas. “Você depende do outro e o outro depende de você. Isso cria um ambiente de pertencimento muito forte, que impacta não só o físico, mas também o emocional e o social”, explicaram.
Outro diferencial destacado é a inclusão. Segundo as treinadoras, não há um “biotipo ideal” para a prática. Pessoas de diferentes idades, estaturas e perfis físicos podem treinar, desde crianças a partir dos quatro anos até adultos e pessoas com mais de 40 anos. O centro, inclusive, atende alunas que já são mães e seguem evoluindo tecnicamente.
Estrutura e modalidades
Atualmente, o Team ZD trabalha com Cheerleading e acrobacias de solo, modalidade semelhante ao solo da ginástica artística, porém sem aparelhos. O espaço conta com um tablado profissional de madeira, equipado com mais de 1.800 molas, que proporciona maior impulso e segurança para a execução dos movimentos.
As equipes podem variar de 12 a 30 integrantes, conforme o regulamento das competições. A composição das rotinas depende do nível técnico e das características de cada grupo de atletas.
Competições e cenário regional
Karine e Wendy também contextualizaram o cenário competitivo da modalidade. O cheerleading chegou ao Brasil em 2008 e ainda é considerado recente, mas cresce de forma consistente, com campeonatos estaduais, nacionais e, mais recentemente, eventos regionais em outras partes do país. Os principais polos hoje são São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Paraná.
Em São Carlos, o esporte já possui relevância no ambiente universitário. Duas equipes universitárias atuam na cidade, incluindo a Caaso Falcons, da USP, que acumula títulos nacionais de Grand Champion. Além disso, há outra academia especializada na modalidade e, agora, o Centro de Treinamento Team ZD, ampliando o acesso para além da universidade.
As entrevistadas confirmaram participação em competições nacionais e destacaram que o primeiro Campeonato Mundial da modalidade no Brasil será realizado no Rio de Janeiro, evento para o qual já se preparam.
Colônia de férias e formação infantil
Outro destaque da entrevista foi a apresentação da colônia de férias promovida pelo Team ZD. A programação inclui atividades recreativas, jogos motores, circuitos, oficinas criativas, estímulos à coordenação motora, memória e atenção, sempre com abordagem lúdica. Elementos do Cheerleading são incorporados às brincadeiras, como saltos e desafios corporais, com o objetivo de incentivar o movimento e reduzir o tempo das crianças em frente às telas.
As atividades acontecem no próprio centro de treinamento, localizado na Rua Luiz Barbosa de Campos, nº 89, no Jardim Alvorada, próximo ao Shopping Passeio. As inscrições são feitas via WhatsApp, por meio de formulário que reúne informações importantes sobre saúde, alimentação e eventuais restrições das crianças.
Sonhos e futuro da modalidade
Ao falar sobre os desafios, as treinadoras apontaram a necessidade de desmistificar a ideia de que o Cheerleading se resume à dança ou animação de torcida, visão ainda muito influenciada por filmes e produções norte-americanas. “Existe dança, mas a modalidade vai muito além disso. Envolve força, técnica, estratégia e alto rendimento”, afirmaram.
Entre os sonhos, Karine citou o desejo de se tornar referência nacional em treinamento de Cheerleading e participar da formação de atletas de alto nível, com a expectativa de que o esporte venha a integrar o programa olímpico no futuro. Wendy destacou a meta de implantar um projeto social em São Carlos, oferecendo a crianças e jovens a mesma oportunidade de transformação pessoal que ela própria viveu por meio do esporte.
Interessados podem agendar aula experimental gratuita e obter mais informações pelo Instagram @teamzd__br. A entrevista reforçou o papel do esporte como ferramenta de inclusão, desenvolvimento humano e construção de sonhos — agora com endereço fixo e portas abertas em São Carlos.
Assista a entrevista na íntegra:
