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Especialista fala sobre diagnóstico e inclusão de autistas

A data, estabelecida em 2007, tem por objetivo difundir informações

01/04/2024 17h11 - Atualizado há 3 semanas Publicado por: Redação
Especialista fala sobre diagnóstico e inclusão de autistas

Nesta terça-feira, 02 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo. A data, estabelecida em 2007, tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas pelo transtorno. O Jornal Primeira Página entrevistou a Profa. Dra. Giovana Escobal, que falou sobre o diagnóstico, os desafios e a inclusão dos autistas na sociedade.

 

Confira íntegra da entrevista:

 

1) O que é o autismo?

O autismo é um tipo de transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizados por uma tríade de comprometimentos relacionados à: Interação social; linguagem/comunicação; Padrões comportamentais repetitivos e estereotipados.

Dentre os sinais, podem aparecer: Alterações no sono e na alimentação, apego a determinados objetos, manipulação bizarra de objetos, dificuldades em habilidades de imitação, dificuldades em apresentar jogo simbólico, uso de pessoas como ferramentas, resistência a mudanças na rotina e aos contatos físico e visual, isolamento social, risos e movimentos não apropriados, comprometimento da atenção compartilhada, déficit em responder a chamado pelo nome, déficit em emitir gestos apropriados para a idade, déficit em interação social, não responder apropriadamente às emoções, não se engajar em brincadeiras sociais, hipo ou hipersensibilidade sensorial, dentre outros.

 

 

2) Como acontece o diagnóstico do autismo?

Não existem exames específicos ou marcadores biológicos para realizar o diagnóstico do autismo. O diagnóstico é comportamental. Por isto a importância do profissional ter grande experiência e realizar um bom diagnostico diferencial. Os sintomas podem estar presentes precocemente na primeira infância, porém, eles podem não estar totalmente aparentes até que as demanda sociais aumentem e aumentem as exigências em termos de habilidades necessárias para cumprir tais exigências, ou podem ficar ofuscados ainda por possíveis estratégias de aprendizado ao longo da vida.

Tal diagnóstico pode ser baseado em observação direta do comportamento, entrevistas com os pais, ferramentas de rastreio, como testes e escalas, etc. Diversos profissionais podem avaliar e encaminhar para o médico os resultados de suas avaliações para compor o diagnóstico, mas o diagnóstico oficial (laudo como documento) é realizado por médicos que podem ser neurologistas, pediatras, psiquiatras.

 

 

3) Quais os principais desafios que o autista enfrenta?

Acesso a um tratamento de qualidade. Com intervenção adequada estes indivíduos podem se desenvolver, adquirir repertórios funcionais, conquistar independência e reduzirem comportamentos interferentes. ABA é considerado o tratamento de escolha segundo a OMS. E seus resultados são demonstrados por décadas através de pesquisas.

Embora algumas pessoas com autismo possam viver de forma independente, outras têm déficits mais importantes e necessitam de cuidados e apoio ao longo da vida.

Formação dos profissionais que atuam com este público. Muitas vezes, esses não têm qualificação necessária para avaliar, construir um programa de ensino baseado em tais avaliações que identificam comportamentos a serem ensinados e comportamentos interferentes a serem eliminados, adaptar o currículo, realizar o manejo comportamental, etc. Faltam, com frequência, recursos humanos e materiais também (e.g., contexto escolar).

A capacitação destes profissionais é fundamental para que esse publico se desenvolva de maneira mais otimizada.

Políticas públicas. Um olhar especial e sensível do poder público e diversas instâncias envolvidas para a Educação Especial e assistência específica.

Preconceito. O preconceito ainda impacta o autoconceito, autoestima e a forma como a sociedade enxerga estas pessoas. Tem-se uma maior conscientização sobre o tema, mas muito trabalho ainda é necessário de informação, suporte, formação e sensibilização.

Sensibilização da sociedade. Um autista inserido no ambiente social, de maneira adequada, com apoios necessários, traz benefícios não só para ele, mas para todos ao redor, e para a sociedade de maneira geral. Com essa inclusão, podemos formar seres humanos melhores, mais empáticos, ensinar cooperação, respeito e outros comportamentos sociais relevantes para a sua cultura. Queremos formar indivíduos produtivos, independentes, felizes e generosos uns com os outros. Só assim poderemos viver em uma sociedade mais justa e humana.

 

 

4) Como a sociedade pode colaborar para a inclusão do autista?

Precisamos de uma sociedade mais empática e generosa. Todos viveremos melhor desta maneira. Para isto, Informação, Formação, Sensibilidade, Políticas Públicas e Suporte são essenciais.

 

 

BIOGRAFIA- Profa. Dra. Giovana Escobal é Diretora do Instituto ABAcare, Docente do Instituto LAHMIEI-Autismo, UFSCar, Professora de Educação Especial, Prefeitura Municipal de São Carlos.  possui graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal de São Carlos (2001- 2004). É Especialista em análise do comportamento aplicada ao autismo: Avanços no tratamento e pesquisa pela UFSCar. Possui Mestrado em Educação Especial (Educação do Indivíduo Especial) pela Universidade Federal de São Carlos (2005-2007), Doutorado em Educação Especial (Educação do Indivíduo Especial) pela Universidade Federal de São Carlos (2007-2010). Pós- doutora em Psicologia, com bolsa FAPESP (2010/11201-9). É Diretora do Instituto ABAcare e Docente do Instituto Lahmiei Autismo. Atua na Educação Especial da Prefeitura Municipal de São Carlos.

Foi Editora Associada da International Journal of Behavior Analysis and Autism Spectrum Disorders ( IJOBAS). Atuou em disciplinas da graduação e pós-graduação, co-orientou informalmente pesquisas de vários dos demais membros do laboratório e foi orientadora credenciada pela FAPESP para bolsas de Iniciação Científica.

Realizou estágio de pesquisa no exterior na University of Kansas, Lawrence, sob supervisão de Richard Saunders durante o mestrado e realizou estágio de doutoramento sanduíche no Departamento de Psicologia da Universidade da California, campus San Diego, com orientação do Prof. Dr. Edmund Fantino e da Profa. Dra. Stephanie Stolarz-Fantino.

Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Especial e Psicologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Análise do Comportamento, deficiência intelectual, autismo, tomada de decisão econômica, escolha, preferência, autodeterminação, controle ambiental e preparação para o trabalho, além de ensino de habilidades acadêmicas e redução de comportamentos inadequados e disfuncionais.

Realiza consultoria em ABA para crianças, adolescentes e adultos com TEA e/ou atrasos no desenvolvimento intelectual e/ou de linguagem, além de realizar capacitação de profissionais e familiares e realizar consultorias no país todo. 

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