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João Sérgio Cordeiro recebe prêmio nacional pela vida acadêmica

Engenheiro civil e professor da UFSCar foi homenageado com medalha Láurea ao Mérito 2021

04/10/2021 10h20 - Atualizado há 3 anos Publicado por: Redação
João Sérgio Cordeiro recebe prêmio nacional pela vida acadêmica Fotos: Divulgação
Reportagem: Hever Costa Lima

O engenheiro civil e professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), João Sérgio Cordeiro, aos 72 anos, recebeu a Láurea ao Mérito 2021, o proeminente prêmio do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) que presta homenagem aos profissionais vivos, conselhos de fiscalização profissional e entidades de classe e instituições de ensino pelos serviços relevantes ao país e à valorização da área tecnológica nacional.

Na ocasião, foi apresentado ainda o Livro do Mérito, onde foram inscritos os nomes dos profissionais relevantes falecidos da Engenharia e Agronomia.

A premiação ocorreu no dia 15 de setembro durante a abertura da Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia. Em 2021, por conta da pandemia da Covid-19, o evento foi realizado de forma virtual.

Tudo começou quando a UFSCar indicou ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-SP) o nome e perfil profissional de João Sérgio Cordeiro para concorrer à homenagem. Além de aceito pelo CREA-SP, o perfil profissional do professor foi indicado ao CONFEA. Por lá, o trabalho como docente e pesquisador na área de saneamento e meio ambiente ganhou distinção.

Entre os 49 engenheiros indicados ao CONFEA, João Sérgio Cordeiro esteve na relação final dos homenageados. O prêmio congratula 12 profissionais vivos e 12 homenagens póstumas que se somam à entrega de três Placas de Menção Honrosa, destinadas a entidades de representação profissional, ensino e pesquisa.

“É uma trajetória de vida”, resumiu Cordeiro que já tem 45 anos de profissão. Ele formou-se na USP de São Carlos em 1975 e continuou na academia com mestrado e doutorado até chegar à UFSCar em 1983.

Entre as duas universidades, Cordeiro teve uma passagem por Minas Gerais, onde chegou a ser secretário de Obras da cidade de Patos de Minas. Contudo, a vida acadêmica e a paixão pela educação em Engenharia exigiram mais tempo e dedicação.

Cordeiro é membro da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE) que congrega todas as escolas de engenharia do Brasil. Por dois mandatos, entre 2005 e 2010, presidiu a entidade. Ele ainda participou do início da Associação Ibero-americana de Educação em Engenharia com Portugal, Espanha e toda a América.

PERCURSO – Para chegar à sala de aula como professor, Cordeiro contou com a ajuda na mudança curricular na graduação da Engenharia, ocorrida em 1976, quando novos conceitos foram introduzidos na grade curricular como Ciências Ambientais, Ciência da Computação e Segurança do Trabalho.

Nessa ocasião, ele estava terminando o mestrado e teve a oportunidade de participar de um curso de formação em Ciências Ambientais, oferecido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). “Esta oportunidade acabou me impulsionando para as questões ambientais. O meu trabalho sempre foi aplicado, pensando na sociedade e na solução dos problemas da comunidade”.

A visão integrada do meio ambiente permeia a percepção de Cordeiro como engenheiro e cidadão, ao dar oportunidade para entender qual o propósito da técnica, mecânica e método ao criar um projeto.

Para os alunos, ele apresenta um universo mais integrado no qual os projetos de drenagem urbana, com manejo da água, esgoto e resíduo sólido precisam ser contextualizados às comunidades nos quais serão inseridos para entender a realidade das pessoas e promover o bem-estar social.

Cordeiro encara como desafio, na profissão de educar e formar engenheiros, a compreensão que já estamos em um novo momento pautado pela vida veloz e de rápida absorção de novos elementos. “Eu sempre falo que somos professores do século 20 com alunos do século 21. Temos de incorporar novas tecnologias e conceitos, sem nos esquecermos da boa base matemática, física, computacional e porque não filosófica”.

Por este ângulo, os engenheiros precisam ser desafiados a pensar e integrar projeto e sociedade. “É uma visão losangular”. Cordeiro explicou que do ponto de partida abre-se o pensamento, entende o sistema como um todo e fecha-se com uma proposta integrada que atenda ao propósito do projeto.

Ao mostrar que cem milhões de pessoas não têm acesso à rede de esgoto no Brasil, Cordeiro nos induz a pensar que não basta saber a quantidade de concreto, fluxo da água ou o número do Pi, precisamos entender o contexto que vivemos para conquistarmos qualidade de vida.

Visão

A nova oportunidade surge no mundo virtual

Aposentado e desligado da vida acadêmica da UFSCar desde o início de 2020, o professor João Sérgio Cordeiro mantém com os filhos João Sérgio e Luiz Felipe uma empresa de consultoria na formação de profissionais no segmento do meio ambiente e drenagem urbana.

O mundo virtual deu oportunidade junto à Fundação Renova e a Sabesp, por exemplo, de se lançar a um novo desafio de formar e reformar muitos engenheiros que saíram da universidade com uma lacuna na vida acadêmica.

Cordeiro participou da capacitação dos engenheiros das prefeituras de 39 cidades ligadas à Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais, que foi atingida pelo rompimento da barragem da Vale, em Mariana, em 2015. “Eu ministrei aulas aos engenheiros das prefeituras para desenvolver projetos em busca de financiamento no segmento de saneamento urbano”.

LÁUREA AO MÉRITO – Criadas em 1958, as Honrarias se dividem em Medalha do Mérito, para a congratulação dos profissionais vivos, conselhos de fiscalização profissional, entidades de classe e instituições de ensino; e Livro do Mérito, onde são inscritos os nomes dos profissionais falecidos que prestaram relevantes serviços à sociedade, constituindo-se na manifestação de reconhecimento do Sistema ao profissional e aos familiares.

HISTÓRICO – A Medalha e o Livro do Mérito foram instituídos em 1958 quando se estabeleceu 11 de dezembro, como o Dia do Engenheiro e do Arquiteto. Os primeiros agraciados com a Medalha do Mérito foram o presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, o engenheiro Octávio Marcondes Ferraz e o arquiteto Lúcio Costa.

No Livro do Mérito, os primeiros homenageados inscritos foram o engenheiro José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco, e o engenheiro Alfredo d ́Escragnolle Taunay, Visconde de Taunay.

Em dezembro de 1986, houve uma reformulação das homenagens, passando os condecorados com a Medalha do Mérito e os familiares dos inscritos no Livro do Mérito a receber o diploma na sessão solene de instalação da Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia.

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