O Parque Ecológico “Dr. Antônio Teixeira Vianna”, um dos principais espaços de conservação ambiental e educação de São Carlos, completa 50 anos nesta quarta-feira. Inaugurado em 9 de setembro de 1976, o Parque é resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de São Carlos e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e, ao longo de cinco décadas, consolidou-se como referência regional na proteção da fauna, preservação ambiental, educação e pesquisa.
Com 72 hectares de área total, sendo 32 hectares destinados ao funcionamento do Parque, o espaço é dividido entre áreas de visitação e setores destinados à preservação ambiental, que mantêm vegetação característica do Cerrado. Atualmente, o Parque abriga mais de 300 animais, pertencentes a cerca de 100 espécies, e recebe, em média, mais de 200 mil visitantes por ano.
“Mais do que um local de visitação, o Parque Ecológico desempenha um importante papel na conservação da biodiversidade”, disse a diretora do Departamento de Gestão e Cuidado do Parque Ecológico, Rebecca Greco Barbosa. Animais silvestres vítimas de acidentes, apreensões ou outras situações de risco são encaminhados ao local pela Polícia Ambiental e pelo Corpo de Bombeiros. “Ao chegar, recebem atendimento emergencial para estabilização, passam por exames e, quando necessário, iniciam imediatamente o tratamento acompanhado pela equipe técnica”, relatou.
Sempre que as condições permitem, os animais são encaminhados para soltura, contribuindo diretamente para a proteção da biodiversidade regional. Quando não podem retornar à natureza, por situações como orfandade, necessidade de medicamentos de uso controlado, dificuldades de locomoção ou alimentação, entre outras condições, os animais podem ser encaminhados para um Cetras (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres) ou destinados a instituições que tenham condições de recebê-los, inclusive o próprio Parque Ecológico.
A conservação também está presente no trabalho realizado com as espécies mantidas no Parque. O espaço abriga importantes representantes da fauna sul-americana e desenvolve seu trabalho seguindo planos de manejo que têm como objetivos o bem-estar dos animais, a conservação das espécies, a preservação genética e a reprodução.
Ao longo de sua história, o Parque Ecológico acumulou importantes resultados na reprodução de espécies ameaçadas e na contribuição para programas de conservação e reintrodução. Antas, emas, primatas e onças-pintadas estão entre os animais que marcaram a trajetória da instituição pela contribuição para outros projetos e instituições de conservação.
Um exemplo recente é o da onça-pintada Theodoro, que foi transferida em novembro de 2024 para a Associação Mata-Ciliar, onde passou a integrar um projeto de conservação da espécie. As últimas informações recebidas pelo Parque são positivas e indicam sua aproximação com uma fêmea.
Atualmente, o Parque também abriga Atenas, uma jovem onça-pintada de 1 ano e 4 meses, que futuramente seguirá para outra etapa dentro do projeto de conservação da espécie.
O processo de reintrodução é realizado de acordo com o plano de manejo de cada espécie e sob responsabilidade das instituições especializadas. Quando animais nascidos no Parque são destinados a programas de soltura, eles passam por etapas específicas, incluindo, em determinados casos, períodos de aclimatação antes da autorização para a reintrodução.
Foi o que ocorreu, por exemplo, com antas nascidas no Parque e posteriormente destinadas a um projeto de soltura no Rio de Janeiro. No caso das onças-pintadas, os animais nascidos no Parque contribuem para os programas de conservação, enquanto a reintrodução na natureza é planejada para seus descendentes, que passam por um processo próprio de ambientação na instituição responsável pelo projeto.
Outro eixo fundamental do trabalho do Parque Ecológico é a educação ambiental. O Centro de Educação Ambiental (CEA) recebe visitantes, estudantes, universitários e profissionais e promove atividades de formação e capacitação.
Entre os treinamentos realizados estão o Curso de Capacitação para Tratadores em Zoológicos, Treinamento de Manejo e Identificação de Fauna Silvestre, Capacitação para Manejo de Serpentes Peçonhentas, Treinamento de Manejo, Captura e Contenção de Animais Silvestres, capacitação da equipe de voluntários, treinamento da Brigada de Combate a Incêndios e cursos de Noções Básicas de Primeiros Socorros.
As atividades capacitam anualmente um grande número de pessoas e também contribuem para a formação de universitários. O CEA recebe estudantes para visitas técnicas e desenvolvimento de projetos de pesquisa, aproximando a produção acadêmica da rotina do Parque e gerando conhecimento que pode contribuir para o aprimoramento das atividades desenvolvidas pela instituição.
A educação ambiental também chega ao público por meio de atividades abertas à comunidade, como os Passeios Noturnos, o Quarta com Bicho, a Caminhada no Cerrado, o Curso de Férias e as Oficinas Educativas.
As ações buscam aproximar diferentes públicos e faixas etárias da fauna e da flora, promovendo conscientização, sensibilização e conhecimento sobre a importância da conservação da biodiversidade e sobre o papel desempenhado pelos zoológicos e instituições de conservação.
Para o secretário municipal de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, Júnior Zanquim, os 50 anos reforçam a importância do Parque para a conservação da fauna e a educação ambiental. “É um espaço que une preservação, conhecimento e contato da população com a natureza. Celebrar essa história também reforça nossa responsabilidade de cuidar e fortalecer o Parque para as próximas gerações”, afirmou.








