A Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos promoveu, nesta quinta-feira, 27, durante a programação do São Carlos Experience, evento que segue até 30 de agosto em diferentes espaços da cidade, reunindo ciência, tecnologia, inovação e sociedade, um encontro com agentes de endemias e profissionais da área para apresentar a estratégia Wolbachia como ferramenta de prevenção e controle da dengue e de outras arboviroses. A atividade foi realizada no auditório da Santa Casa, com apoio do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O encontro contou com palestra do gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre, sobre o tema “Wolbachia no combate à Dengue – Inovação para a proteção da saúde”.
Gabriel Sylvestre apresentou o funcionamento da estratégia, ressaltando que a tecnologia inovadora integra a estratégia do Ministério da Saúde para o controle do mosquito Aedes aegypti.
“O método Wolbachia utiliza o próprio mosquito Aedes aegypti, que recebe a bactéria Wolbachia, capaz de impedir a transmissão de vírus como dengue, zika e chikungunya. O mosquito não é transgênico e o método é considerado seguro para a população, os animais e o meio ambiente”.
Ele explicou ainda que a estratégia é complementar às demais ações de controle do Aedes aegypti. “A ideia é reduzir a quantidade de mosquitos e, por isso, o combate ao vetor deve continuar. O mosquito com Wolbachia não é diferente visualmente dos demais e pode ser eliminado normalmente”, destacou.
A tecnologia já é utilizada em 16 países e, no Brasil, vem sendo pesquisada há mais de uma década. Atualmente, mais de 50 cidades brasileiras recebem a estratégia por meio do Ministério da Saúde e da Fiocruz. Resultados internacionais apontam reduções expressivas nos casos de dengue, como 96% na Austrália, 77% na Indonésia e 86% no Vietnã. No Brasil, estudos registraram redução de 89% dos casos em Niterói (RJ) e de 63% em Campo Grande (MS).
De acordo com gerente de implementação da Wolbito do Brasil, empresa que desenvolveu o método para o Ministério da Saúde, após um período inicial de liberação dos mosquitos, a própria população de Aedes com Wolbachia se mantém e contribui para interromper a transmissão local das arboviroses, tornando a estratégia autossustentável. “A Wolbachia é passada da fêmea para seus descendentes, permitindo que as novas gerações de mosquitos também carreguem essa proteção”.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, destacou que São Carlos está na fase de engajamento comunitário para a implantação do método Wolbachia. A previsão é que a liberação dos mosquitos com a bactéria comece em outubro.
Segundo Denise, o trabalho envolve informar a população sobre o funcionamento e a segurança da tecnologia, que já foi testada cientificamente no Brasil e no exterior, com resultados positivos. “A tecnologia, a vigilância, a ciência e a participação da população precisam caminhar juntas no enfrentamento à dengue”, afirmou.
A diretora ressaltou ainda que o método será incorporado às demais ações de combate ao Aedes aegypti, como visitas aos imóveis, uso de drones e instalação de ovitrampas para monitoramento da presença e da atividade do mosquito. A estratégia ganha importância diante da previsão de temperaturas elevadas e aumento das chuvas, condições favoráveis à proliferação do vetor.
O secretário municipal de Saúde, Leandro Pilha, destacou que a implantação do método Wolbachia em São Carlos conta com o respaldo do Ministério da Saúde e da Fiocruz e é resultado de mais de 12 anos de pesquisas científicas. Segundo ele, a estratégia representa um avanço tecnológico no enfrentamento da dengue e de outras arboviroses, com potencial para reduzir significativamente a circulação dessas doenças e, consequentemente, a demanda por atendimentos nas unidades de saúde e, principalmente, nas Unidades de Pronto Atendimento.
Pilha ressaltou, no entanto, que a nova tecnologia será incorporada às ações já realizadas pelo município. “O trabalho de campo dos agentes de combate às endemias continuará sendo fundamental. A estratégia Wolbachia vem para ampliar e fortalecer as ferramentas de prevenção e controle das arboviroses”, finalizou.
O município de São Carlos foi uma das três cidades do Estado de São Paulo selecionadas para receber a iniciativa esse ano, com base nos índices de infestação do vetor registrados na cidade em 2025.
Em 2025, foram registradas no município 31.095 notificações de dengue, com 10.702 casos descartados e 20.384 casos positivos. Foram confirmados 24 óbitos. Para Chikungunya, houve 631 notificações com 5 casos positivos (sendo 2 importados e 3 autóctones). Em relação à Zika, foram registradas 563 notificações, todas descartadas. Para Febre Amarela foram registradas 3 notificações, com 2 casos descartados e 1 óbito confirmado.
Já esse ano foram registradas até o momento 414 casos confirmados para dengue. Nenhum óbito foi registrado. Para chikungunya foram descartados 194 casos. Para zika foram descartados 179 casos e para febre amarela foram descartados 2 casos.








