Coluna do Braga Jr.

A Inexorável Saudade e o Vazio da Ausência

Reprodução/Freepik

A vida, em sua fluidez incessante, nos presenteia com a alegria dos encontros e, invariavelmente, com a dor das despedidas. Há um sentimento intrínseco à alma humana, um nó na garganta que aperta o peito e um olhar distante que se perde no tempo, que a palavra “saudade” encapsula com maestria singular na língua portuguesa. É mais do que a simples ausência; é a lembrança vívida do que foi, do que se viveu, e a constatação pungente do que jamais será novamente. A saudade, por vezes, é um perfume esquecido em um lenço, à melodia de uma canção que transporta há um tempo que já não existe, o calor de um abraço que se fez eterno na memória. Ela habita os espaços vazios deixados por aqueles que partiram, sejam eles entes queridos que cruzaram o limiar da existência, ou grandes ideais, sonhos e épocas que se perderam nas brumas do passado.

É no vácuo da ausência de um pai, de uma mãe, de um filho, de um amigo ou de um amor que a saudade se manifesta em sua forma mais dilacerante. A cadeira vazia à mesa, o silêncio que antes era preenchido por uma voz familiar, a ausência de um toque ou de um riso ecoam como sinos fúnebres na alma. Cada fotografia, cada objeto que pertenceu, torna-se um portal para um passado que insiste em coexistir com o presente, em uma dança melancólica entre a alegria do que foi e a tristeza do que não é mais. Mas a saudade não se restringe apenas à perda de pessoas. Ela se estende àquela grandiosa ideia que não prosperou, ao projeto que não saiu do papel, à era de ouro que se dissolveu no tempo. É a saudade de um Brasil que parecia prometer mais, de uma inocência coletiva que se desfez, de uma simplicidade que a complexidade dos dias modernos engoliu. É a dor de um futuro imaginado que nunca se concretizou, uma espécie de luto por um potencial perdido.

No entanto, por mais que a saudade seja um fardo pesado, ela também carrega consigo uma beleza intrínseca. É a prova irrefutável de que amamos, de que vivemos intensamente, de que algo ou alguém deixou uma marca indelével em nossa jornada. É um elo invisível que nos conecta ao que se foi, mantendo viva a chama da memória e do afeto. Ela nos lembra da fragilidade da vida e da importância de valorizar cada instante, cada encontro, cada oportunidade.

Sentir saudade é honrar o que se perdeu, é reconhecer a profundidade do impacto que certas presenças ou momentos tiveram em nossa existência. E, ao permitirmos que a saudade nos visite, abrimos espaço para a reflexão, para a gratidão e, paradoxalmente, para a continuidade da vida, carregando conosco o legado daquilo que nos moldou e que, de alguma forma, permanece em nós. Pois, enquanto houver memória, haverá saudade, e com ela, a certeza de que o que foi grande jamais será completamente esquecido.

 

David John Braga Jr.

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