São Carlos acumula déficit de US$ 127,2 milhões no comércio exterior até julho

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Exportações recuam 1,9% nos sete primeiros meses de 2026, enquanto importações avançam 21%

São Carlos acumulou déficit de US$ 127,2 milhões na balança comercial entre janeiro e julho de 2026, resultado de US$ 342,2 milhões em exportações e US$ 469,4 milhões em importações. O levantamento consta do Informativo Econômico divulgado nesta sexta-feira (14) pela Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC) e aponta movimentos distintos nas duas pontas do comércio exterior: enquanto as vendas ao exterior recuaram 1,9% em relação ao mesmo período de 2025, as compras internacionais cresceram 21%.

A diferença está relacionada principalmente ao avanço das importações e à desaceleração das exportações em julho. Segundo o levantamento, as vendas externas de São Carlos caíram 13,1% naquele mês. Com isso, a média mensal exportada em 2026 ficou em US$ 48,8 milhões, abaixo dos US$ 50 milhões registrados, em média, ao longo de 2025. Já as importações avançaram de uma média mensal de US$ 55 milhões no ano passado para aproximadamente US$ 67 milhões nos sete primeiros meses deste ano.

O resultado amplia a distância entre importações e exportações. Em todo o ano de 2025, São Carlos havia encerrado a balança comercial com déficit de US$ 60,8 milhões, período em que as exportações cresceram 20% e as importações 11% na comparação com 2024. Nos cinco primeiros meses de 2026, a própria ACISC já havia identificado o fortalecimento dessa tendência, com US$ 243 milhões exportados, US$ 319 milhões importados e saldo negativo de US$ 76 milhões.

A leitura do Núcleo Econômico da entidade é de que o maior volume de importações não deve ser analisado isoladamente como um indicador negativo. Parte das compras externas é formada por matérias-primas, componentes, máquinas e insumos utilizados pelas empresas instaladas no município, o que pode refletir maior atividade das cadeias produtivas e demanda por bens estrangeiros. Em análise anterior da ACISC, o economista Elton Casagrande destacou a relação direta do comércio exterior com a dinâmica econômica local. “O comércio exterior influencia diretamente a geração de empregos e renda na cidade. Precisamos observar as variações cambiais e os fatores que impactam a competitividade das nossas empresas para criar estratégias eficazes de crescimento”, afirmou.

A presidente da ACISC, Ivone Zanquim, também já havia chamado a atenção para a inserção das empresas são-carlenses no mercado internacional. Em junho, ao comentar os números dos cinco primeiros meses do ano, ela afirmou que “os números mostram que São Carlos mantém uma presença importante no comércio exterior e segue integrada a mercados estratégicos”. Segundo a dirigente, esse movimento evidencia a capacidade produtiva das empresas e a conexão do município com cadeias nacionais e internacionais.

Outro indicador apontado pelo informativo é a participação de São Carlos no comércio exterior brasileiro. O município manteve participação de 0,2% nas exportações nacionais em 2026, mesmo percentual de 2025. Nas importações, porém, a fatia passou de 0,2% para 0,3%, reforçando o crescimento proporcionalmente maior das compras externas ao longo deste ano.

O cenário para os próximos meses ganhou um componente adicional de incerteza com novas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. Em julho, o governo norte-americano estabeleceu sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações provenientes do Brasil. Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aponta que, combinadas, as novas medidas alcançam 23,1% das exportações brasileiras.

Na avaliação apresentada pelo Informativo Econômico da ACISC, os efeitos dessas barreiras poderão aparecer nos resultados de agosto a dezembro. A expectativa é de eventual redução, ainda que discreta, no volume total exportado por São Carlos e de possibilidade de ampliação do déficit comercial acumulado até julho, dependendo da exposição das empresas locais aos produtos alcançados pelas tarifas.

No comércio brasileiro, China, Estados Unidos e Argentina aparecem entre os principais destinos das exportações, enquanto China, Estados Unidos e Alemanha ocupam posições de destaque entre as origens das importações. A composição guarda semelhança com a estrutura das relações comerciais de São Carlos, que mantém forte integração com grandes mercados e cadeias industriais internacionais. Dados anteriores da ACISC já apontavam Estados Unidos, China e Alemanha entre parceiros relevantes das empresas do município.

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