São Carlos recebe nova etapa do ciclo “Híbrido/Etanol – O Motor do Brasil”

Evento reuniu setor produtivo, academia, entidades sindicais e especialistas para debate sobre o papel da tecnologia nacional na transição energética

O ciclo de debates Híbrido/Etanol – “O Motor do Brasil” retomou suas atividades na última sexta-feira, 22 de maio, reunindo, em São Carlos (SP), representantes da Volkswagen, Toyota, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Unesp Araraquara e entidades sindicais do Brasil para avaliar os avanços alcançados desde o início do projeto e definir os próximos passos em torno da transição energética, inovação tecnológica e desenvolvimento industrial no país.

Criado em 2021, o ciclo de debates busca promover reflexões sobre os impactos da crise climática e contribuir para a construção de uma transição energética justa, envolvendo trabalhadores, universidades, empresas, governos e a sociedade. Ao longo dos últimos anos, as atividades passaram por cidades como Araraquara, São José dos Campos, Sorocaba, São Carlos e Joinville (SC), ampliando o diálogo sobre mobilidade sustentável, inovação tecnológica e fortalecimento da indústria nacional.

Para o presidente da FEM-CUT/SP, Erick Silva, a crise climática e a transição energética são temas que vêm ganhando cada vez mais espaço nos debates sobre o futuro da indústria. Segundo ele, uma das principais motivações para o desenvolvimento desse trabalho foi a preocupação com a importação de um modelo de veículo eletrificado a bateria sem a discussão e estudo adequado. “Híbrido/Etanol – O Motor do Brasil é a contribuição dos metalúrgicos organizados pela FEM-CUT/SP com foco na produção e desenvolvimento locais e soberania tecnológica do nosso país frente às transformações que o mundo apresenta”, explica.

Erick destaca que os efeitos das mudanças climáticas já fazem parte do cotidiano da população. “As pessoas sentem a mudança climática na prática: a necessidade crescente de ar-condicionado em casa e no carro, o calor em períodos que antes eram mais frios, os incêndios florestais no Pantanal, chuvas extremamente fortes, secas na Amazônia e longos períodos de estiagem, entre tantas outras transformações causadas pelo aumento de mais de 1 grau na média das temperaturas globais”, afirma.

Ainda segundo ele, esse cenário vem sendo debatido há muitos anos e exige medidas concretas para reduzir a emissão de CO₂. “O carro elétrico a bateria parecia uma solução lógica para o mundo, mas não é. O modelo elétrico a bateria vem se desenvolvendo também por razões geopolíticas e estratégias de desenvolvimento industrial, como acontece na China e em países da Europa, que não possuem petróleo, mas têm forte capacidade industrial e tecnológica”, avalia.

O presidente da FEM-CUT/SP ressalta que o Brasil possui uma realidade diferente e vantagens estratégicas importantes no cenário da transição energética. “Além do petróleo, temos o etanol. Isso permite ao país escolher como usar e quando utilizar cada combustível, de acordo com diferentes situações de mercado ou até mesmo conforme a escolha do usuário. Dessa forma, entendemos que o Brasil deve lançar mão de suas vantagens competitivas, pois o etanol e a matriz energética limpa do país são extraordinários, e precisamos ser capazes de desenvolver modelos adequados à nossa realidade, às nossas necessidades e ao fortalecimento da produção nacional”, completa.

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