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Vídeo mostra policiais do Equador invadindo embaixada do México e prendendo ex-vice-presidente

As imagens divulgadas mostram que a polícia equatoriana escalou os muros da embaixada e invadiu o prédio

10/04/2024 07h47 - Atualizado há 1 mês Publicado por: Redação
Vídeo mostra policiais do Equador invadindo embaixada do México e prendendo ex-vice-presidente FOTO – ARTE – JORNAL PRIMEIRA PÁGINA

Reportagem – Estadão Conteúdo

O México divulgou na terça-feira, 9, um vídeo de câmeras de segurança dos momentos em que as autoridades equatorianas forçaram a entrada na embaixada do México, derrubaram um diplomata mexicano e levaram o ex-vice-presidente do Equador que estava refugiado lá.

A ação de sexta-feira, 5, à noite intensificou as tensões entre os dois países, que já vinham em conflito desde que o ex-vice-presidente Jorge Glas, que foi condenado por corrupção pela Justiça do Equador, se refugiou na embaixada do México em dezembro.

As imagens divulgadas mostram que a polícia equatoriana escalou os muros da embaixada e invadiu o prédio. Roberto Canseco, chefe de assuntos consulares do México e o diplomata de mais alto escalão presente desde que o Equador expulsou o embaixador no início da semana, tentou impedi-los de entrar, empurrando até mesmo um grande armário na frente de uma porta. Mas a polícia o conteve e o empurrou no chão enquanto carregavam Glas.

Depois, o diplomata é visto lutando com os agentes que o arrastam pelo pescoço. Canseco se levanta e continua resistindo aos policiais quando eles saem da sede diplomática, fora da qual os confronta novamente até ser colocado de joelhos.

O México, assim como especialistas, diz que a ação parecia ser uma violação flagrante dos acordos internacionais. O México rompeu relações diplomáticas com o país em resposta. Líderes de toda a América Latina condenaram as ações do Equador como uma violação da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

Na sua coletiva de imprensa diária, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, exibiu o vídeo de segurança e disse que mostrava a forma “autoritária e vil” como a polícia invadiu a embaixada.

López Obrador criticou os aliados Canadá e Estados Unidos, pelo que considerou manifestações fracas contra o ataque. O México disse que planeja apresentar uma queixa formal à Corte Internacional de Justiça (CIJ).

“Houve declarações muito ambíguas dos Estados Unidos e do Canadá sobre este incidente. Somos parceiros econômicos e comerciais, somos vizinhos e sua posição está muito indefinida até agora”, disse o presidente. Estados Unidos e Canadá são parceiros comerciais de México no T-MEC.

López Obrador destacou a ausência de uma declaração do próprio presidente americano, Joe Biden, como fizeram “outros líderes (que) se expressaram abertamente”.

No caso de Washington, foi uma nota do Departamento de Estado “não condenando a interferência, o ataque, a invasão da nossa embaixada, mas falando em buscar a reconciliação, sem se manifestar contra este ato autoritário”, lamentou o presidente de esquerda.

O Canadá “chegou ao ponto de dizer que foi uma suposta violação do direito internacional. Usou a palavra ‘aparente’. Não permitimos isso, não aceitamos”, acrescentou.

A incursão policial foi condenada por trinta países e sete organizações mundiais e regionais, como as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA), onde o tema é discutido nesta terça-feira a pedido do Equador, que considera ilegal o asilo político de Glas porque ele é acusado de um crime comum.

Quito também justifica a agressão pelo “risco iminente” de fuga do ex-dignatário, que horas antes havia recebido asilo.

Glas, de 54 anos, voltou à prisão nesta terça-feira depois de ter sido hospitalizado na véspera. “Tememos pela vida dele”, disse nesta terça o eurodeputado espanhol Manu Pineda, em uma coletiva de imprensa no Parlamento Europeu, junto com o ex-presidente equatoriano Rafael Correa, de quem Glas foi vice-presidente.

O ex-presidente (2007-2017), também condenado por corrupção e exilado na Bélgica, pediu uma “resposta forte” da comunidade internacional, propondo inclusive a retirada dos embaixadores da União Europeia do Equador.

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