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Posvenção, a dor de quem fica.

Outros sentimentos comuns nesse momento são: dificuldade de dar sentido a perda; busca incessante por motivos para a morte, entre outros

24/09/2023 06h31 - Atualizado há 8 meses Publicado por: Redação
Posvenção, a dor de quem fica.

No último artigo do Setembro Amarelo falaremos sobre o luto daqueles que chamamos de “sobreviventes” do suicídio e como enfrentar esse momento tão doloroso, pois um suicídio também leva para o túmulo sonhos, amores, expectativas e possibilidades.

Chamamos de sobreviventes àqueles que foram impactados diretamente pela perda, como pais e mães, irmãos, filhas e amigos. Parafraseando o psicólogo Shneidman (1973): a morte de uma pessoa é um fim para ela, mas um começo para os sobreviventes.

A posvenção se mostra importante porque, apesar de estarmos falando de luto, a forma da perda e os sentimentos que ela desperta são diferentes. Pesquisas mostram que há diferenças de intensidade e duração no luto. Além de maior intensidade de sintomas depressivos em familiares, naqueles atingidos de forma direto pela perda (se comparados a outros tipos de mortes violentas).

O movimento da posvenção começa em 1970 na América do Norte, como um grupo de apoio aos sobreviventes. O termo é introduzido no Brasil em 2011. E é caracterizado por ser um conjunto de ações terapêuticas que tem por objetivo ajudar os enlutados após o suicídio de um ente querido a ter uma vida mais longa, funcional e menos estressante.

Os objetivos da posvenção são: ajudar a elaborar o processo de luto; minimizar o risco de aparecimento de comportamentos suicidas nos enlutados por suicídio; e promover resistência e enfrentamento nos sobreviventes.

Estudos mostram que: após uma morte por suicídio, as redes de apoio dos sobreviventes, que comumente ajudariam na elaboração de processo de luto, não sabem como reagir. O que contribui para o sentimento de abandono dos sobreviventes.

Outros sentimentos comuns nesse momento são: dificuldade de dar sentido a perda; busca incessante por motivos para a morte; autoacusações; sentimentos infundados de responsabilidade; rejeição; abandono; e mudanças nas dinâmicas familiar.

Tudo isso pode levar a um luto traumático. É comum que os sobreviventes se perguntem “será que vou sorrir de novo?” ou “será que vou esquecer o rosto ou a voz da pessoa que eu amo?”. O que faz com que seja muito mais difícil o desprendimento desse episódio.

Os enlutados por suicídios costumam precisar de aconselhamentos e ajuda em assuntos práticos, muitas vezes para que possam aos poucos retomar suas rotinas. Esses também precisam de informações e suporte de locais ou profissionais para que possam procurar ajuda. E acima de tudo, precisam da oportunidade de ser ouvidos e ter alguém para acolhê-los.

 

Psicólogo formado pela PUC-Campinas.

Psicanalista pós-graduado pela Mackenzie-SP.

Especializado em Psicanálise, Gênero e Sexualidade pelo Instituto Sedes Sapientiae.

Matheus Wada Santos

CRP 06/168009

@psi_matheuswada

(16)99629-6663

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