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Para Zanon, São Carlos tem que ter equipe de alto rendimento

22/06/2013 23h59 - Atualizado há 11 anos Publicado por: Redação
Para Zanon, São Carlos tem que ter equipe de alto rendimento

Luiz Augusto Zanon, técnico da Seleção Brasileira Feminina de Basquete, nascido e criado em São Carlos, esta tendo a oportunidade de comandar os treinamentos que antecedem sua primeira competição internacional à frente da Seleção justamente na Cidade do Clima. Pela programação os treinos vão até 1º de julho, depois a equipe embarca para China, onde irá participar de um tornei amistoso. Na sequência, voam para Mendoza, na Argentina, onde finalmente disputam o 33º Campeonato Sul-Americano, que começa no dia 23 de julho.

 

Nessa estadia da Seleção em São Carlos, Zanon cedeu entrevista exclusiva ao Jornal Primeira Página. Na oportunidade falou sobre a situação do basquete feminino brasileiro no cenário mundial, além do esporte em São Carlos.

 

Jornal Primeira Página: O basquete feminino já não é mais uma potencia mundial, o que falta?

Zanon: Quando éramos potencia tivemos alguns expoentes, caso da Paulo e Hortência, que foram talentos individuais absurdamente incríveis, as melhores do mundo. Depois disso houve o que é natural em todos os esportes e todas as modalidades, não tínhamos os mesmos talentos e não conseguimos os mesmos resultados.
Nessa nova geração estamos tentando criar uma equipe forte. Não temos os grandes talentos, mas no mundo inteiro está sendo assim. A Austrália, por exemplo, que também é uma grande potencia, perdeu a suas jogadoras e a reposição não é tão simples.

 

PP: Na convocação para o sul-americano vemos uma média de idade muito baixa. Seria um plano para daqui a três anos, pensando nas Olimpíadas?

Zanon: Pensamos em um trabalho de sequência. Mas quando estamos indo pra uma competição ela sempre é a mais importante. Porém, temos um cronograma de trabalho para dar condição que esse grupo chegue as Olimpíadas com experiência de competições internacionais.

 

PP: Como você vê o basquete em São Carlos?

Zanon: Eu acompanho as coisas de São Carlos a distancia, por isso não tenho condição de aprofundar uma situação real. Mas escuto esporadicamente que São Carlos não tem mais as modalidades de alto rendimento. Não só no basquete, mas em outras modalidades não vemos equipes em evidência, apesar de ser uma cidade que tem muitos esportistas, muitas escolinhas de basquete, e o surgimento de atletas como o Nenê. Eu sei que é uma cidade onde tem vários pólos e ginásios esportivos.

 

PP: Sabendo da estrutura que a cidade oferece o que falta para São Carlos ter um time em evidência?

Zanon: Vejo São Carlos com algumas coisas interessantes, uma cidade universitária, vários ginásios. Quando São Carlos montar uma equipe competitiva, que disputa campeonatos de federações, paulista e brasileiro, com certeza surgirá uma ‘geração de novos’. São Carlos esta precisando de equipes de alto rendimento, dos espelhos a serem seguidos pelas crianças, para que essa criançada começa a praticar esportes e busque algo a mais.

 

PP: As escolinhas municipais podem ser uma solução?

Zanon: Sem dúvidas. A escolinha municipal é o início. O primeiro passo deve ser os professores de educação física dentro das escolas formarem equipes para que haja competições, e esse pequenos atletas seguindo para as escolinhas municipais de esportes, com professores capacitados a desenvolverem as modalidades. Mas sem o espelho lá na frente, as equipes de alto rendimento, essa criança desiste no meio do caminho. Nas cidades do interior é necessário ter algum esporte como ‘carro chefe’. Por exemplo, o basquete feminino em Americana é o ‘carro chefe’ da cidade, o exemplo para as outras modalidades, ou o basquete masculino de Limeira, onde eu também trabalhei, que é o ‘carro chefe’. Acredito que é isso que vai juntar as escolinhas municipais com uma escolinha de alto rendimento.

 

PP: Qual seria o ‘carro chefe’ de São Carlos?

Zanon: Ao que parece tem uma equipe de handebol que disputa campeonatos de expressão. Ouvi dizer também que o ciclismo da cidade tem uma equipe de triathlon forte.

Uma cidade com cultura esportiva melhora a educação das crianças, a saúde dos habitantes. Gostaria de ver mais equipes de ponta. Um dia pretendo voltar para São Carlos e montar uma equipe que possa deixar esse legado para as crianças. É a questão da cultura esportiva que São Carlos não pode perder.

 

PP: Qual seria o ‘espelho’ para as crianças nessa Seleção Brasileira Feminina de Basquete?

 

Zanon: Temos dois exemplos marcantes. A Clarissa é uma menina nova que veio do RJ e está em Americana, trabalhou comigo dois anos, é carismática. Em qualquer competição que disputa é um exemplo a ser seguida. Iniciou sua carreira no atletismo e foi para o basquete, onde vem crescendo e se destacando. E a Damires, que é uma menina extremamente nova, de apenas 20 anos, e já tem muitas pessoas admirando-a como atleta e como pessoa. Elas chamam atenção pelo sucesso como atleta e pela humildade.

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