A Polícia Civil investiga um homem de 38 anos, de Sertãozinho, suspeito de aplicar o chamado “golpe do amor” ou “golpe do namoro” contra mulheres que conhecia por aplicativos de relacionamento e redes sociais. Identificado como Fernando Vasco Fernandes, ele é acusado de estelionato e, até o momento, pelo menos cinco mulheres procuraram a polícia para relatar situações semelhantes.
Segundo os relatos reunidos nas investigações e em processos judiciais, Fernando se apresentava como engenheiro agrônomo e fazendeiro, criava vínculos afetivos com as vítimas e fazia planos de casamento e de ter filhos. Depois de conquistar a confiança delas, passava a pedir dinheiro emprestado, alegando supostos problemas financeiros e prometendo devolver os valores.
Em alguns casos, os pedidos eram acompanhados de justificativas sobre contas bloqueadas ou outras dificuldades bancárias. Há também relatos de que ele enviava comprovantes e imagens de envelopes de depósitos como se estivesse quitando as dívidas. As vítimas, porém, afirmam ter descoberto posteriormente que os envelopes teriam sido depositados vazios.
Os valores pedidos variavam. Em uma das ações judiciais, áudios anexados ao processo mostram solicitações que iam de R$ 250 a R$ 2 mil. Uma das mulheres relatou prejuízo de aproximadamente R$ 30 mil.
Outro caso envolve uma moradora de Ribeirão Preto, que afirma ter transferido cerca de R$ 13 mil via Pix e comprado, em seu próprio nome, um iPhone 17 Pro Max avaliado em aproximadamente R$ 13 mil. O aparelho foi parcelado em 20 vezes, sob a promessa de que Fernando arcaria com os pagamentos. Segundo ela, as parcelas não foram pagas e a dívida ficou em seu nome.
Ainda de acordo com os relatos, o comportamento do investigado teria mudado quando as mulheres começaram a cobrar a devolução dos valores. O tom carinhoso daria lugar a grosserias, ameaças e deboche.
Em gravações obtidas durante as investigações, Fernando teria afirmado que não seria preso por ser formado e que teria direito a uma cela especial. A declaração, porém, não corresponde à legislação atual: em 2023, o Supremo Tribunal Federal derrubou o dispositivo que previa prisão especial para pessoas com diploma de ensino superior, considerando a regra incompatível com a Constituição.
As investigações reúnem áudios, mensagens, comprovantes e depoimentos que, segundo a Polícia Civil e os processos judiciais, ajudam a detalhar a dinâmica apontada pelas denunciantes: aproximação afetiva, promessas de relacionamento, pedidos sucessivos de dinheiro e mudança de comportamento após as cobranças.
O caso segue sob investigação. Até a última atualização das reportagens consultadas, não havia advogado do investigado localizado para apresentar sua versão sobre as acusações.
