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“Crime organizado influencia eleições pelo mercado”, afirma Gabriel Feltran

Gabriel Feltran não crê que o PCC tenha o objetivo de tomar o lugar do Estado

10/09/2022 23h11 - Atualizado há 2 anos Publicado por: Redação
“Crime organizado influencia eleições pelo mercado”, afirma Gabriel Feltran Divulgação/Labi/UFSCar

Para escritor e professor da UFSCar, não há necessidade de  fuga espetacular, como a de Marcola, para revelar que o sistema prisional brasileiro está falido

 

O crime organizado no Brasil busca influenciar nas eleições para ampliar os seus negócios e facilitar seu acesso à logística, obedecendo a uma lógica de mercado. A análise é do professor da UFSCar e escritor Gabriel Feltran, autor de “Irmãos: Uma história do PCC”, deu origem ao filme “PCC: Poder Paralelo”.

Segundo ele, o  mundo das facções influencia as eleições pelo mercado. “Os caras que estão ligados a facções têm negócios criminais os mais diversos. A maioria dos faccionados é muito pobre, mas também existem os que são bem sucedidos, que ficaram ricos. Eles influenciam a política para atender a seus interesses. Isso está presente não só no Estado de São Paulo, mas também em todo o Brasil”, ressalta.

Feltran não crê que o PCC tenha o objetivo de tomar o lugar do Estado. “Esta facção tem o objetivo de tomar lugares do mercado, como portos e aeroportos. A facção quer se tornar um grupo economicamente forte para poder influenciar a política”, destaca ele.

Com relação às milícias, Feltran destaca que elas têm ligações muito próximas a setores do poder político. “Elas têm muita influências em corporações policiais, e, portanto em agentes oficiais do Estado. Então, as milícias, além da influência econômica direta, também tem forte presença no aparato estatal pela entrada que elas têm nas forças de segurança”, afirma.

NARCOMILÍCIAS

Pesquisador do crime organizado no Brasil, Feltran confirma haver relatos de aliança entre uma facção criminosa e milícias. “A aliança entre milicianos e facções criminosas, são grupos que atuam em direções diferentes. As milícias geralmente atuam junto aos interesses de uma elite estabelecida e os caras ligados a facções tentam ocupar o lugar das elites estabelecidas. Há alguns relatos no Rio de Janeiro do que tem chamado de Narcomilícias. Na verdade não são alianças, mas uma subordinação do Terceiro Comando a milicianos em diferentes regiões do Rio de Janeiro. É como se os traficantes trabalhassem para os milicianos. Isso não acontece com o Comando Vermelho e nem com o PCC, mas acontece com o Terceiro Comando. Pelo menos há relatos disso”, destaca.

SISTEMA DESMORALIZADO

Com relação a uma hipotética fuga do chefão do PCC, Marcos Camacho, o Marcola, da Penitenciária Federal de Porto Velho, capital de Rondônia, Feltran ressalta que isso não é necessário para desmoralizar o sistema penitenciário brasileiro. “Isso não se faz necessário para tanto. Não é preciso ter esta fuga. O sistema já está desmoralizado. Temos hoje 900 mil presos. O número foi multiplicado por cinco nos últimos vinte anos e a situação de segurança não melhora. O sistema, dentro dele, tem produzidos as principais facções do país. Não precisa haver uma fuga espetacular para sabermos que este sistema está desmoralizado”, conclui.

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