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Em 159 anos, Câmara teve apenas 11 vereadoras

História revela que São Carlos foi dominada por homens, refletindo machismo; mas algumas delas romperam a bolha e chegaram ao Legislativo

08/03/2024 08h13 - Atualizado há 1 mês Publicado por: Redação
Em 159 anos, Câmara teve apenas 11 vereadoras

O machismo na política são-carlense fica bastante claro quando constatamos que ao longo de 159 anos de Poder Legislativo, este poder contou com apenas 11 vereadoras eleitas pelo povo. A Câmara Municipal de São Carlos, instalada em 1865 e apenas em 1947, 81 anos depois, o Município elegeu a professora Elydia Benetti (1906 -1965) como vereadora. Antes a Casa de Leis era um perfeito “Clube do Bolinha”.

Todas as vereadoras conquistaram seu mandato pelo voto popular, a partir da redemocratização do país em 1947, quando foram realizadas em todo o país eleições municipais para o Legislativo e o Executivo.

Elydia Benetti atuou na legislatura de 1948 a 1951. Depois disso, passaram-se longos 26 anos para que uma mulher conquistasse uma cadeira no Legislativo. Em 1976 é eleita a professora Mirjam Schiel, que toma posse em 1977 pelo MDB. Mirjan anos depois ajudou a fundar o PT em São Carlos.

Com relação à Presidência da Casa, até hoje somente uma mulher exerceu o cargo em toda a história. Esta proeza foi conquistada pela professora Diana Cury, no biênio 2005-2006. Laíde das Graças Simões, defensora dos animais, presidente da UIPA e fundadora da Arca de São Francisco, fo eleita para cinco legislaturas, é a vereadora com maior número de mandatos em São Carlos.

A legislatura em que o maior número de vereadoras esteve presente foi entre 2001-2004, quando cinco mulheres ocupavam as cadeiras do Legislativo Municipal: Diana Cury, Géria Maria Montanari Franco, Julieta Lui, Laíde das Graças Simões e Silvana Donatti.

No atual mandato, quatro vereadoras exercem o cargo na Câmara, eleitas para o mandato de 2021 a 2024: Cidinha do Oncológico, Professora Neusa,  Raquel Auxiliadora e Laíde Simões. Em um total de 21 cadeiras, as três mulheres representam aproximadamente 20% do total.

SORTEIO

O machismo na política já foi bem maior. A ex-vereadora Julieta Lui (PSOL) foi vítima desse preconceito já no seu primeiro mandato.  Julieta relembra que os vereadores de então, os quais ela classificou como “machistas” e “preconceituosos”, se reuniram em um restaurante e fizeram uma enquete para saber quem entre eles conseguiria ter relações sexuais com ela primeiro. “Eles fizeram uma votação na mesa daquele restaurante, num guardanapo, e mandaram como se fosse uma correspondência oficial da Câmara Municipal para mim. Quando eu abri, me deparei com aquilo: eles marcando com x quem iria ter relações sexuais comigo primeiro. Foi uma coisa lamentável, que nós tivemos que recorrer até a Justiça. A sociedade naquele momento era extremamente machista. Nós, mulheres, estávamos muito aquém dos nossos direitos”, lamentou.

A professora também recorda quando foi assediada por outro colega no plenário da Câmara Municipal. O ato ocorreu durante a discussão da pauta do dia, momento em que os vereadores se aproximam da mesa onde fica o presidente da câmara. “Estavam todos vereadores na frente do presidente para, juntos, discutir como seria o andamento. E ele ficou esbarrando em mim o tempo inteiro. Foi uma coisa muito lamentável. Infelizmente, eu não aguentei, perdi a cabeça mesmo, e tive que agredi-lo com um tapa no rosto”, completa ela.

 

Todas as vereadoras de São Carlos:

Elydia Benetti

Julieta Lui

Géria

Silvana Donatti

Raquel Auxiliadora

Diana Cury

Professora Neusa

Laíde Simões

Cidinha do Oncológico

Regina Bortolotti

Mjrian Schiel

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