Artigo

Escola não é espaço para intimidação

Azuaite Martins de França*

Imbecil é um termo de origem latina usado para designar alguém considerado sem inteligência, discernimento ou bom senso, isto é, tolo ou estúpido. Não há como considerar de outra forma, dados as suas ações extravagantes e contrárias à razão, o atual prefeito de Sorocaba, cuja administração lançou um edital nesta quarta-feira, dia 10, para cargos na área da Educação — diretor de escola, vice-diretor, orientador pedagógico e supervisor de ensino — que incluiu, entre os requisitos para inscrição, a bizarra exigência de estar apto para portar arma.

Trata-se de um completo despropósito, uma aberração inaceitável. Estamos falando de funções ligadas diretamente ao trabalho pedagógico, à gestão escolar, à orientação educacional. Não são cargos de segurança pública, muito menos militares. Escola não é quartel, tampouco espaço para intimidação. A escola é, e deve ser sempre, território de ensino, de aprendizagem, de paz e de construção de conhecimento, jamais um ambiente de brutalidade e autoritarismo.

A associação entre arma e escola é absolutamente descabida. A arma, instrumento da violência, é tudo o que deve ser mantido distante da sala de aula e da vida escolar. A tentativa de naturalizar essa vinculação fere não apenas a lógica mais elementar, mas também todo o acúmulo de debates e reflexões que a sociedade, os educadores, pesquisadores e especialistas têm feito em defesa de uma educação democrática e emancipadora.

Ainda que a Prefeitura de Sorocaba tente agora justificar ou atribuir o episódio a um erro, é necessário manter a vigilância. É preciso coibir, com firmeza, que arroubos de autoritarismo tentem se infiltrar em nossas escolas. Não podemos permitir que o obscurantismo, travestido de “gestão”, imponha o medo onde deve florescer o conhecimento.

A escola é templo da palavra, da escuta e da razão. Nunca será lugar de armas. Se a violência fosse o remédio para pacificar a sociedade por meio da presença de policiais – como imaginam alguns – faria sentido substituir diretor de escola, vice-diretor, orientador pedagógico e supervisor de ensino por policiais.

Quem pensa assim faz parecer que dentro de seu crânio não existe cérebro, mas músculos. E sugira que talvez, desde já, seja razoável substituir prefeitos e vereadores por policiais.

 

*Azuaite Martins de França é Vice-Presidente do Centro do Professorado Paulista – CPP.

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