POLÊMICA!!!

Sérgio Rocha e Fernanda Castelano entram em confronto sobre universidades federais

Fotos: Arquivo Primeira Página

PAULO MELLO 

A Câmara Municipal de São Carlos foi palco de um embate entre os vereadores Sérgio Rocha (PRD) e Fernanda Castelano (PSOL), durante a sessão ordinária desta terça-feira (20). A discussão envolveu o funcionamento das universidades federais, a participação política de estudantes e acusações sobre supostas atividades criminosas no ambiente acadêmico. Enquanto Rocha criticou o comportamento de parte dos universitários e afirmou que haveria tráfico de drogas nas instituições, Fernanda, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), repudiou as declarações e exigiu a apresentação de provas. 

A polêmica começou após o vereador Ronaldo Mota (PSOL) manifestar solidariedade a estudantes, professores e servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em razão de episódios de confronto que, segundo ele, envolveram o deputado federal General Girão e apoiadores. Mota condenou os atos relatados e defendeu a liberdade de manifestação no ambiente universitário. 

Ao ocupar a tribuna, Sérgio Rocha discordou do posicionamento do colega e afirmou que grupos que ingressam nas universidades para expor problemas existentes nessas instituições merecem reconhecimento. Segundo o vereador, parte dos estudantes teria deixado de priorizar a formação acadêmica para se dedicar à militância política. Durante o pronunciamento, ele chegou a classificar integrantes desse grupo como “terroristas”. 

Rocha também fez acusações sobre a existência de tráfico de drogas dentro das universidades federais, incluindo a UFSCar. “É a universidade pichada, é cheia de placa, é cheia de bandeira, é o tráfico dentro da universidade, é o pessoal vendendo maconha, vendendo droga livremente na universidade”, declarou. O parlamentar afirmou ainda que pais estariam preocupados com a segurança dos filhos que ingressam nessas instituições. As acusações, entretanto, não foram acompanhadas de documentos ou outros elementos de comprovação durante a manifestação. 

O vereador sustentou que as universidades devem concentrar esforços na formação de profissionais e criticou manifestações políticas que, segundo ele, resultariam em depredações e desordem. Rocha ressaltou que suas críticas não eram dirigidas à totalidade dos estudantes, mas a uma parcela que estimou entre 10% e 15% da comunidade acadêmica. 

A resposta veio durante o pronunciamento de Fernanda Castelano. A parlamentar classificou as afirmações como desinformação e lamentou que acusações dessa natureza fossem feitas na tribuna da Câmara de uma cidade reconhecida pela presença de instituições públicas de ensino superior e pesquisa. 

“Hoje, infelizmente, nós assistimos a um show de fake news aqui de um vereador que me antecedeu, que falou da universidade pública com um desconhecimento, como poucas vezes eu vi na minha vida”, afirmou Fernanda. 

A vereadora também lembrou que a Constituição Federal assegura a liberdade de expressão, organização e manifestação política, inclusive no ambiente universitário. Segundo ela, estudantes, professores e servidores possuem o direito de defender suas posições, desde que respeitados os limites previstos na legislação. 

Em resposta direta às acusações, Fernanda exigiu comprovação das declarações. “Eu espero que o senhor possa provar aonde é que na Universidade Federal o tráfico corre solto. Eu espero que o senhor possa provar aonde é que na Universidade Federal existem terroristas, como o senhor disse”, declarou. A parlamentar também mencionou a possibilidade de questionamento judicial das afirmações. 

Fernanda criticou ainda a posição de Rocha em relação aos episódios relatados na UFRN, considerando que suas declarações representaram uma exaltação da violência. “Apologia da violência, discurso de ódio não cabe nesta tribuna, presidente. Não pode caber nesta casa, não pode sair da boca de vereadores desta casa”, afirmou. 

O confronto expôs divergências sobre a autonomia universitária, a liberdade de manifestação política e a responsabilidade de representantes públicos ao formular acusações. As afirmações sobre supostas práticas criminosas nas instituições não foram comprovadas no material da sessão analisado. O episódio também colocou em discussão a necessidade de preservar o debate democrático, o respeito às universidades e a divulgação de informações fundamentadas em fatos verificáveis. 

 

Compartilhe:

Recomendamos para você

Saúde pública
A Prefeitura de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, sedia de terça-feira, […]
Agora mesmo
O presidente da Câmara Municipal de São Carlos, vereador Lucão Fernandes, tratou de quatro temas […]
Há 7 minutos
A presidente da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC), Ivone Zanquim, recebeu na […]
Há 2 horas
plugins premium WordPress