COLUNA

TORPEDOS – 28/10/2026

UNIVERSIDADE NO CENTRO DO RINGUE

A polêmica envolvendo a UFSCar dominou boa parte da sessão. Teve defesa, crítica, foto, pichação, acusação, réplica e tréplica. Em determinado momento, faltou apenas alguém pedir intervalo comercial. A universidade virou praticamente a 22ª cadeira do plenário.

TIROU O “TERRORISTA”

Sergio Rocha (PRD) tentou explicar a fala da semana passada e fez uma pequena reforma no vocabulário: retirou o termo “terrorista”, mas manteve que alguns estudantes “tocam o terror”. Foi uma espécie de retratação com controle de danos. Tirou a dinamite, mas deixou o pavio.

NÃO RETIRO!

Mesmo reconhecendo exagero em uma palavra, Sergio avisou que não retiraria as críticas sobre festas, drogas, pichações e militância de uma parcela dos estudantes. Pelo jeito, a marcha à ré engatou só até a metade. Depois disso, pé novamente no acelerador.

PARANÁ ENTROU DE SOLA

Se Sergio tentou baixar um pouco a temperatura, Paraná Filho (PP) resolveu colocar mais lenha. Levou fotografias, criticou pichações e questionou o que chamou de “baderna” dentro da universidade. A sessão que estava quente ganhou churrasqueira, carvão e abanador.

PODE FALAR ISSO?

Ao mostrar uma pichação com a expressão “foda-se a polícia”, Paraná perguntou se poderia repetir a frase no plenário. E repetiu. Algumas vezes. A discussão sobre universidade virou também teste prático do limite vocabular da Câmara.

“PEDACINHO DO CÉU”

Paraná reconheceu a qualidade acadêmica da UFSCar, mas disse que ninguém deveria apresentá-la como um “pedacinho do céu”. Pelo tom da sessão, céu realmente não era. Aquilo estava mais para previsão de temporal com raios e trovoadas.

RONALDO CONTRA-ATACA

Ronaldo Mota (PSOL) não gostou nem um pouco do discurso de Paraná e classificou a forma do debate como “covarde” e “nojenta”. A Presidência precisou intervir. Quando a discussão chega ao ponto de explicar se o vereador chamou o colega de covarde ou apenas o argumento de covarde, é porque a sessão já entrou no VAR.

FICA CALADINHO!

Durante o bate-boca, Ronaldo mandou Paraná ficar “caladinho”. Paraná respondeu, a Presidência tentou organizar e o relógio da tribuna virou quase personagem da sessão. Democracia é maravilhosa. Mas às vezes precisa de cronômetro, microfone e muita paciência.

LARISSA FECHOU COM A UNIVERSIDADE

Larissa Camargo (PCdoB) saiu em defesa da UFSCar, citou projetos, professores e parcerias com o município e afirmou que estudantes se sentiram ofendidos pelas declarações feitas anteriormente. Enquanto alguns levavam fotos de pichações, Larissa levou praticamente o currículo da universidade.

JÚLIO NO MEIO DO CAMINHO

Júlio César (PL) também defendeu a importância da UFSCar e lembrou sua própria ligação com a instituição, mas deixou claro que é contrário a qualquer doutrinação ou militância política, seja de esquerda ou de direita. Tentou ficar no meio da ponte. Naquela sessão, porém, até o meio da ponte estava congestionado.

LINEU NÃO DEIXOU BARATO

Lineu Navarro (PT) classificou as críticas à universidade como parte de uma disputa política maior e ressaltou o peso econômico e científico das instituições públicas para São Carlos. Se a intenção era esfriar o debate, não funcionou. Lineu chegou com o extintor e, de algum jeito, aumentou a chama.

RAQUEL ESCOLHEU OUTRO CAMINHO

Raquel Auxiliadora (PT) preferiu concentrar sua fala na vitória de Lula, na participação popular e na mobilização eleitoral. Depois de tanta pancadaria verbal sobre universidade, foi quase um intervalo para respirar. Quase, porque eleição também não costuma produzir chá de camomila naquela Câmara.

DOIS MINUTOS, E NEM UM SEGUNDO A MAIS

A confusão também serviu para se lembrar uma regra esquecida: aparte tem limite de dois minutos. Depois de Sergio se estender durante a fala de Gustavo Pozzi (PP), veio o aviso de que o cronômetro passaria a ser seguido. O Regimento Interno finalmente conseguiu cinco minutos de fama.

MEDIADOR SOFRE

Thiago de Jesus (MDB), depois de passar parte da sessão tentando controlar interrupções, apartes e bate-bocas, fez uma confissão pública: mediar os vereadores “não é fácil, não”. Descobriu na prática que presidir sessão da Câmara às vezes exige mais reflexo que apitar clássico de futebol.

BREVE MESMO

Gustavo Pozzi avisou que seria breve e, desta vez, promessa de político foi cumprida. Ele deixou uma comparação curiosa para Netto Donato (PP): na Prefeitura, é preciso separar quem vive em “simbiose” com a administração de quem apenas “parasita”. Traduzindo para o português político: tem gente ajudando o cavalo a andar e tem gente só querendo uma carona no sangue. Eita!

DE OLHO NOS CONTENTINHOS

Mesmo ocupando cargos de confiança em um governo de direita, alguns comissionados não esconderam a alegria com a vitória de Lula e foram comemorar nas redes sociais. Nos bastidores, dizem que Netto Donato está de olho nos mais “contentinhos” e que a caneta pode começar a trabalhar. Será? Melhor comemorar com moderação: em cargo de confiança, até os “Parabéns, presidente Lula” pode virar exame admissional ao contrário.

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