Psicologia em Foco

A ideia de masculinidade e sofrimento no Setembro Amarelo

A campanha do “Setembro Amarelo” foi instituída em 2025 como Política Pública Nacional de Saúde e existe desde 2013. Com os objetivos de prevenção à automutilação e ao suicídio. Ocorrendo no mês de setembro, pois, o dia 10 é elencado como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio pela a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Segundo dados da OMS, o Brasil é o 8º país em número absoluto de suicídios. Com o quadro tendo sido agravado pela Pandemia do Covid-19 e demonstrando em dados que mais pessoas morrem por suicídio do que HIV, câncer de mama ou homicídios.

De acordo com o SINESP (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, 2025), houve cerca de 47 casos a cada dia. Com a maioria demográfica sendo da população masculina (cerca de 79%), entre 12-29 anos ou com mais de 65 anos e em situações de isolamento.

Ademais, a Associação Brasileira de Psiquiatria (2025) registra que 96,8% dos casos de suicídio estão associados a outros transtornos. Tais quais: ansiedade, depressão, transtornos bipolares, psicóticos, de humor ou personalidade. Chamando-se atenção e cuidado especialmente para a comorbidade entre: ansiedade, depressão, distúrbios de sono e uso de substâncias.

Existe ainda todo tabu social ao redor destes assuntos. Porque, há a ideia falsa de que abordar os temas de sofrimento, saúde mental, ideações suicidas, masculinidade ou buscar ajuda pela psicoterapia pudesse não apenas incentivar, mas desclassificar os homens por incapacidade ou falta de virilidade. Como se fosse apenas “uma frescura”.

No entanto, isso só faz com que, no campo do imaginário, a fantasia ao redor do ato (do suicídio) se apresente como saída, uma válvula de escape para a pessoa que está passando por sofrimento. Pois, nenhuma outra solução parece cabível para toda a angústia e sensação de abandono e isolamento.

Tudo isto ilustra como a crença em modelos de masculinidade ou regras culturais “do que é ser homem” têm tido impacto direto sobre a saúde mental da população. Principalmente naqueles afetados por marcadores sociais da diferença, o que resultou que fossem alvos de experiências traumáticas oriundas de discriminação por raça, classe social, orientação sexual, identidade de gênero e cyberbullying.

Como resultado, há ausência de habilidades sociais e emocionais nos homens, que não as aprendem durante a infância. Além da incapacidade de reconhecer o próprio sofrimento e emoções. Assim, é comum que eles não busquem apoio psicológico ou não se mantenham nos tratamentos. E, durante crises emocionais intensas, se tem o uso de métodos letais como estratégia imediata, como ocorre com o suicídio.

Tudo isto exalta a importância do tratamento em saúde mental e da desmistificação sobre os assuntos da masculinidade e do suicídio. Sempre buscando conscientizar, informar, acolher e buscar saúde para quem está em sofrimento.

Sendo possível na psicoterapia: avaliar o risco da situação, acolher, fornecer um local sigiloso e seguro para que a pessoa se expresse, ajudar na construção de recursos para enfrentar seu sofrimento, fortalecer a rede apoio e tratar das questões que levaram inicialmente as ideações suicidas. Todo um tratamento que deve ser sempre realizado livre de tabus e preconceitos e no qual a pessoa pode se expressar livremente para lidar com suas angustias, crises e ideações.

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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