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“Farmar Aura”: será que a nova moda entre os jovens é tão nova mesmo?

Freepik/Magnific

Na virada de julho para agosto de 2026, o assunto da “1ª competição para ‘farmar aura’ na cidade de São Carlos-SP” estava repercutindo nas redes sociais, jornais e rádios. O evento tinha previsão para ocorrer no dia 1º de agosto, mas foi adiado devido a conflitos de agenda da organização e adequações necessárias ao espaço escolhido.

O “farmar aura” é a tradução do termo “aura farm”, vindo do inglês estadunidense. Usado para se referir ao acúmulo de respeito, carisma ou estilo gerado por ações específicas de uma pessoa.

Apesar de ter se popularizado na grande mídia no meio do ano de 2026 (através da plataforma TikTok), o termo já era utilizado em fóruns online desde 2018, principalmente em discussões sobre obras ilustradas famosas, como HQs (histórias em quadrinhos) de origem oriental (os mangás ou manhwas).

Mas o que explica essa popularização repentina e exacerbada, sobretudo entre os jovens?

O psicanalista e escritor Contardo Calligaris em seu livro “A adolescência” (2009), faz uma análise reveladora sobre esse período formativo da identidade humana. Para ele, esta fase do desenvolvimento biológico tem seu entendimento baseado no contexto cultural da época, já que o termo “adolescência” foi cunhado no século XX e tem se atualizado desde então. Assim, as crianças ao crescerem, precisam se adequar às mudanças biológicas, psíquicas e de expectativas social e familiar moderna.

Além disso, durante o período da adolescência, a pessoa é colocada no paradoxo da “moratória” identitária, na qual se é cobrado de ter responsabilidades e comportamentos como um adulto, ao mesmo tempo que se é castrado por não ter independência financeira e precisar obedecer aos mais velhos. Por causa disso, os adolescentes lutam constantemente para atualizar sua identidade e encontrar seus locais de pertencimento e protagonismo possível de suas próprias vidas, até mesmo recorrendo a comportamentos perigosos ou desafiadores.

Retomando o exemplo de “farmar aura”, as HQs e os primeiros vídeos do assunto no TikTok apresentavam algumas características comuns sobre quem o fazia. Dentre esses: ser admirado, temido ou invejado; ser o protagonista do momento registrado; e se sobressair sobre quem julgou tal protagonista como incapaz.

Portanto, “farmar aura” cai na mesma categoria de outros comportamentos que buscam garantir uma espécie de reparação psíquica sobre injustiças sofridas, fazendo-o através de um pertencimento identitário e social a um grupo. Já houve outros exemplos famosos: o visual roqueiro (1950), os skatistas e surfistas (1975), movimento emo (1990), funkeiros (2000), os flash mobs (2003), a fama de bandas como Rebelde (2006) e Cine (2007-2012), geeks e otakus (2010), o K-Pop (2018), etc. Sendo que o grupo de “farmar aura” é apenas o mais atual.

Tendo tudo isto em mente, o papel da Psicologia e do psicólogo não é de julgamentos morais, mas sim de entender as angústias de cada pessoa, fase de desenvolvimento e o porquê desses comportamentos fazerem sentido para ela naquele momento. E poder então fornecer o acolhimento e atendimento de qualidade, ético e livre de preconceitos.

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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