No Divã

Novembro Azul!

(*) Bianca Gianlorenço

Todos os anos, o Novembro Azul nos convida a olhar com mais atenção para a saúde do homem. Mais do que uma campanha de conscientização sobre o câncer de próstata, esse movimento nos leva a refletir sobre uma questão importante: por que tantos homens ainda adiam o cuidado com a própria saúde?

Os números mostram a dimensão desse desafio. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil tem uma estimativa de 77.920 novos casos de câncer de próstata para cada ano do triênio de 2026 a 2028. A doença é o tipo de câncer mais incidente entre os homens brasileiros, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Além disso, o país registrou 17.826 mortes pela doença em 2024, segundo dados do Atlas de Mortalidade por Câncer.

Esses dados reforçam a importância da informação, do acompanhamento médico e do diagnóstico em tempo oportuno. A idade é um fator de risco relevante, especialmente após os 60 anos. Ter pai ou irmão que recebeu o diagnóstico antes dos 60 anos também merece atenção, assim como o excesso de gordura corporal, associado ao maior risco de câncer de próstata avançado.

Um dos grandes desafios é que a doença pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem, sinais como dificuldade para urinar, necessidade de urinar mais vezes, presença de sangue na urina ou no sêmen precisam ser avaliados por um profissional de saúde. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas não devem ser ignorados.

É importante destacar que a realização de exames para investigação ou rastreamento deve ser conversada individualmente com o médico. A decisão considera idade, histórico familiar, condições de saúde, riscos e benefícios dos exames. Não existe uma orientação única que sirva para todos os homens.

Mas o Novembro Azul também precisa ampliar nossa compreensão sobre saúde masculina. Cuidar da saúde não significa apenas realizar exames ou tratar doenças. Significa olhar para o corpo, para as emoções, para os relacionamentos e para a qualidade de vida.

Culturalmente, muitos homens foram ensinados a não demonstrar fragilidade, a suportar o sofrimento em silêncio e a procurar ajuda somente quando a situação se torna insustentável. Essa maneira de lidar com as emoções pode dificultar tanto a busca por atendimento médico quanto o cuidado com a saúde mental.

O medo de receber um diagnóstico, a vergonha, o preconceito e a dificuldade de falar sobre o próprio corpo ainda são barreiras que precisam ser enfrentadas. Por isso, precisamos construir uma cultura em que pedir ajuda seja entendido como responsabilidade, e não como sinal de fraqueza.

A saúde mental também merece atenção. Ansiedade, estresse, tristeza persistente, irritabilidade, isolamento e dificuldades nos relacionamentos não devem ser naturalizados. Conversar sobre sentimentos, reconhecer limites e buscar acompanhamento psicológico são atitudes que fazem parte de uma vida mais saudável.

O cuidado integral começa quando o homem entende que não precisa esperar adoecer para se priorizar. Alimentação equilibrada, atividade física, atenção aos sinais do corpo, acompanhamento profissional e espaço para cuidar das emoções são atitudes que contribuem para a saúde ao longo da vida.

Neste Novembro Azul, fica um convite: que os homens possam falar mais sobre saúde, abandonar preconceitos e compreender que prevenção também é uma forma de amor-próprio.

Cuidar de si não diminui a força de ninguém. Pelo contrário: é uma escolha de coragem, responsabilidade e valorização da própria vida.

(*) A autora é Psicóloga, inscrita no CRP/ SP sob o n° 06/113629 atuante desde 2013. Especialista em Psicologia Clínica com título concedido pelo Conselho Federal de Psicologia. Especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica. Especialista em Psicoterapia infantil. Psicanalista. São-carlense e fundadora da Clínica Gianlorenço – Saúde Mental e Física. Contato profissional: WhatsApp 16 997375436

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do Jornal Primeira Página sobre o assunto.

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